O título é ainda provisório, mas é ponto assente que a próxima edição dos Dias da Música do Centro Cultural de Belém (CCB), em Abril de 2014, terá como tema a mudança na arte em geral e na música em particular.
Retomando o famoso soneto de Camões, Mudam-se os tempos... foi a proposta apresentada por Dalila Rodrigues e Miguel Leal Coelho, vogais do Conselho de Administração do CCB, na conferência de imprensa de balanço do festival deste ano, que terminou domingo à noite com a interpretação da música de cena para o Sonho de uma noite de Verão, de Mendelssohn, pela Sinfónica Portuguesa e pelo Coro do Teatro Nacional de São Carlos, sob a direcção de Rui Pinheiro.
A música como reflexo da mundança, “como rastilho para a evolução das mentalidades, das modas e dos gostos e, em última análise, da própria sociedade” servirá de fio condutor, permitindo abordar a produção de compositores em que “a novidade vem afrontar o que está estabelecido”. “Muitas vezes incertos, foi nestes tempos de mudança que surgiram algumas das melhores obras de arte da humanidade”, lê-se no texto distribuído à imprensa. A mudança pode encontrar-se em todas as épocas, mas um tema como este permitirá também apresentar mais obras do século XX – “por exemplo Schoenberg, Stravinsky ou os minimalistas”, como referiu Leal Coelho – a um público amplo.
Em relação à presente edição dos Dias da Música, sob o tema O Impulso Romântico, Dalila Rodrigues mostrou-se muito satisfeita com os resultados. “Creio que estamos todos de parabéns, compositores, intérpretes, público e a equipa do CCB. Foi uma oferta de grande nível.” Referiu ainda o aumento significativo de apoios, nomeadamente a entrada da Caixa Geral de Depósitos como um dos mecenas. “As condições climáticas permitiram-nos também democratizar esta edição, com multidões a ouvir os concertos ao ar livre.”
Madalena Wallenstein da Fábrica das Artes mostrou-se também muito satisfeita com o êxito das actividades para o público mais jovem, as quais tiveram uma taxa de ocupação de 99%. A oferta incluiu espectáculos e oficinas, entre os quais a performance de música e teatro O Elefante e a Grua; a instalação interactiva Os Avatares de Beethoven por André Sier e a Orquestra de Câmara Portuguesa, que permitia às crianças compôr através do movimento; e as Danças de Roda orientadas por Paulo Rodrigues e Marina Henriques.
Miguel Leal Coelho sublinhou ainda que a aposta num grande número de músicos portugueses nesta edição “não foi só uma questão economicista mas também de justiça”: “temos cada vez mais intérpretes de elevado nível, incluindo muitos jovens com estudos de aperfeiçoamento no estrangeiro”.
Dos cerca de 27.168 bilhetes disponíveis foram vendidos 21 mil até às 17h do dia 21, o que corresponde a uma taxa de ocupação de 79%. Com um orçamento de 450 mil euros (160 mil provenientes de patrocínio), esta edição teve 60 concertos em sala e 15 de acesso livre nos palcos exteriores e a participação de 1076 músicos. Entre as novidades encontram-se os espaços de restauração renovados e as exposições de arquitectura na Garagem Sul.

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