Deitados na relva nas primeiras horas do festival

Ao final desta quinta-feira a relva era ainda a grande atracção do Optimus Primavera Sound. À primeira vista, este ano há mais portugueses a assistir ao festival no Porto.

São dois. Ele, cabelo loiro, alto, barba, óculos de sol, e ela, também loira, de óculos de sol e vestido florido, com blusão de ganga. Ambos suecos, na casa dos 30 anos, de Malmo. Estiveram o fim-de-semana passado no Primavera Sound de Barcelona e resolveram vir também à edição do Porto.

 “Chegámos há dois dias, nunca tínhamos estado em Portugal e pareceu-nos um bom pretexto o festival, apesar de o cartaz não ser muito diferente em Espanha e aqui, mas rever algumas destas bandas também é bom.”

Às 18h desta quinta-feira eram muitos os rostos estrangeiros que se viam nas imediações do parque da cidade, onde decorre o festival. Tal como aconteceu o ano passado, a organização prevê que o público se divida entre portugueses e estrangeiros, mas à primeira vista fica a ideia que este ano há mais portugueses, o que tem uma explicação simples.

“O ano passado a maior parte das pessoas que conheço falou-me muito bem do que aqui aconteceu e resolvi vir”, diz-nos Cláudia Garcia, de Setúbal, uma das muitas pessoas seduzidas pelo balanço positivo dos concertos de 2012. 

Ao final do dia, quando o evento teve início, a preocupação era o tempo. Estava vento, mas o sol apareceu. “Nos dois últimos dias não esteve tão bom, mas hoje está óptimo”, diz-nos o casal de suecos, mostrando-se agradados com a cidade. “É diferente de Barcelona, que é mais turística. Aqui há mais tranquilidade e a comida é melhor”, riem-se.

Nesse aspecto o festival pode-se revelar surpreendente para quem vem de fora. Um dos sintomas de que a cidade já percebeu a mais-valia que pode representar o evento é a presença de alguns dos mais emblemáticos espaços de petiscos do Porto, como os salgados da padaria Ribeiro, a francesinha da Cufra, as sandes de pernil da Casa Guedes ou as bifanas da Conga.

Depois do Porto, os suecos Lennart e Linnea vão ainda conhecer Lisboa. Mas são uma excepção. Para quem vem de fora o objectivo é mesmo o festival, que, musicalmente, começou com os espanhóis Guadalupe Plata, que puseram muita energia e electricidade na interpretação de uma música rock marcada pelos blues, e os americanos Merchandise, um grupo de novatos que acaba por reflectir influências de algumas das bandas mais veteranas presentes no festival como os My Bloody Valentine e os Swans.

Aliás, essa irá ser uma das principais notas de um cartaz que aposta numa simbiose de grupos emergentes e de formações que nos anos 1980 e 1990 marcaram novas gerações. Os primeiros concertos, como seria de esperar, foram recebidos com descontracção. A maior parte preferiu usufruir da relva ou explorar alguns espaços novos, como uma zona de estar disposta com baloiços.

Esta quinta-feira entre os nomes mais esperados estavam precisamente formações das décadas de 80 e 90, como Nick Cave & The Bad Seeds, The Breeders e Dead Can Dance. Entre os projectos mais recentes, o destaque ia para James Blake e os Deerhunter. Sexta-feira as atenções irão concentrar-se nos Blur, Grizzly Bear, Swans ou Glass Candy. 
 
 

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