“Cumprimos”. Foi esta a palavra mais vezes repetida pelo presidente da Câmara de Guimarães na hora de fazer o balanço da Capital Europeia da Cultura (CEC). O autarca discursava no início do espectáculo de encerramento do evento, que teve lugar na noite desta sexta-feira, sublinhando o sucesso da iniciativa. O secretário de Estado da Cultura, Barreto Xavier, esteve presente e, apesar de não garantir financiamento, quis demonstrar o apoio do governo ao futuro das políticas culturais na cidade.
“Cinco anos volvidos após o início da aventura que a CEC representa, podemos dizer que cumprimos”, defendeu o presidente da Câmara. António Magalhães enumerou os motivos do balanço positivo, desde a aposta na nova criação, ao investimento numa rede de equipamentos única no país para uma cidade média, passando pela capacidade de atracção de criadores de todo o mundo e o envolvimento de artistas profissionais e amadores nos espectáculos programados. À “emoção” do dever cumprido, o autarca acrescentou também uma “firme vontade”: “continuar a fazer da cultura o presente e o futuro” da cidade.
A percepção positiva sobre o impacto da Guimarães 2012 foi sublinhada pelo secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier, segundo o qual Guimarães “deixou claro que não é só passado”. A CEC serviu para reforçar o papel de uma cidade “de dimensão média, mas que se mostrou cidade grande” ao longo do ano, garantiu o governante.
“Guimarães não será a mesma”, prosseguiu Barreto Xavier, defendendo que agora é necessário cuidar do activo simbólico adicional conquistado com esta realização. Para isso, a cidade poderá contar com a “presença atenta deste governo”, prometeu.
“Não venho aqui prometer dinheiro. Venho prometer presença”, especificou o secretário da Estado. Aceitou também o desafio lançado pelo presidente da Guimarães 2012, João Serra, para que no próximo ano seja realize um fórum para debater o legado da CEC e o futuro das políticas culturais no país.
Serra também discursou na sessão de encerramento, que classificou de “momento de conclusão, mas também de prospectiva”. “Guimarães vai prosseguir o caminho”, afiançou. Para o presidente da CEC, o ano foi memorável”, destacando o “encontro com as populações” permitido pelo programa do evento.
Foi com a população que se fez o espectáculo de encerramento “Então ficamos…”, que marcou a despedida oficial da Guimarães 2012, esta sexta-feira. Trabalhada a partir de projectos artísticos com as diferentes comunidades do concelho, a criação envolveu 500 amadores locais numa produção com direcção artística de António Durães. Antes, foi feita a passagem de testemunho simbólica para as próximas Capitas da Cultura: Marselha (França) e Kosice (Eslováquia). A cidade francesa recebeu o testemunho das mãos do director-geral Jean François Chougnet, enquanto a eslovaca foi representada pelo futebolista do Chelsea, emprestado ao Vitória de Guimarães, Miljan Lalkovic.
O encerramento de Guimarães 2012 prolonga-se durante todo o fim-de-semana, com mais de 200 iniciativas em diversos pontos da cidade. Um programa que se estende por 48 horas até às 20h de domingo. No último dia, 30 artistas irão invadir as salas de estar de residentes em Guimarães, na segunda edição do festival “Mi Casa Es tu Casa”. À noite (22h, praça do Toural), a companhia La Fura Dels Baus regressa à cidade para encerrar o espcetáculo de rua começado em Janeiro, no início da Capital Europeia da Cultura 2012.

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