A companhia profissional Teatro ao Largo, de Odemira, que poderá perder o apoio da Direcção-Geral das Artes (DGArtes) no concurso deste ano, considerou na sexta-feira que os critérios para atribuição penalizam os “pequenos grupos de província”.
“Basicamente, foi feito um programa para apoiar os grupos com estruturas como a Cornucópia [companhia teatral de Lisboa]”, disse à agência Lusa o produtor executivo do Teatro ao Largo, Pedro Pinto Leite.
O dirigente considerou que o Alentejo “foi, mais uma vez, penalizado” na distribuição dos chamados "apoios directos" na área do teatro da DGArtes. Segundo Pedro Pinto Leite, “é muito claro, quer nos regulamentos, quer na resposta que é dada”, que os programas da DGArtes “não estão feitos para apoiar pequenos grupos na província, que chegam a toda a gente”. “Ir ao campo fazer um espetáculo não interessa muito”, lamentou o responsável.
Os resultados dos apoios públicos à criação artística para o período 2013-2016 são ainda provisórios, tendo o prazo de reclamações já terminado, faltando agora a DGArtes anunciar os financiamentos definitivos a 30 de Abril, se os prazos forem cumpridos.
Na área do teatro, os apoios directos poderão apoiar 54 projectos, tendo este concurso estabelecido um tecto máximo de financiamento. Esse tecto levou a que as grandes companhias de teatro como a Cornucópia possam vir a ter menos de metade do apoio do concurso anterior (tendo em conta apenas os valores iniciais definidos em 2009, que depois sofreram cortes devido às cativações definidas pelo Governo). Além do Teatro ao Largo, houve outras 15 companhias de teatro que receberam subsídios no concurso passado e agora viram negado o apoio.
Numa carta dirigida ao director-geral das Artes, Samuel Rego, a que a Lusa teve acesso, a direcção da companhia profissional alentejana afirma que os critérios de selecção do concurso “não tomam em conta” as diferenças nas formas de organização dos grupos. “Os critérios de avaliação sugerem que a política da presente Secretaria de Estado é favorecer às estruturas com grande projecção nacional e internacional (...), em detrimento daquelas que trabalham diretamente com a comunidade local”, referem.
O Teatro ao Largo era contemplado ininterruptamente pelos concursos da DGArtes há 16 anos, tendo recebido, no último programa quadrienal, 75 mil euros anuais, explicou Pedro Pinto Leite à Lusa. Agora, o financiamento da companhia provém quase exclusivamente dos protocolos estabelecidos com os municípios de Odemira e de Santiago do Cacém, cujo valor global ronda os 50 mil euros por ano. A venda de espectáculos é também cada vez menor, devido “à falta de dinheiro nas câmaras”.
O grupo chegou a ter sete funcionários no quadro, mas hoje, fruto dos sucessivos cortes no valor dos apoios atribuídos, são apenas três e trabalham a “recibo verde”. Este ano, não tencionam contratar mais de três actores para fazer os espectáculos de Verão, quando habitualmente contratavam oito.
Apesar desta nova realidade, Pedro Pinto Leite acredita que o grupo de teatro itinerante alentejano, sediado em Vila Nova de Milfontes há cerca de 20 anos, pode “continuar a existir”.
“A Câmara Municipal de Odemira tem tido um papel importante na nossa existência. Dá-nos um grande valor e quer que nós continuemos a trabalhar no concelho com a comunidade”, referiu.

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