Casas Pardas de Maria Velho da Costa na nova temporada do São João no Porto

ATEM le souffle, de Josef Nadj, já foi apresentada em Avignon

A presença “muito física” da música em palco e o trabalho com a comunidade ligam alguns dos espectáculos da (parcial) temporada do Teatro Nacional de São João (TNSJ) apresentada esta quarta-feira pelo director artístico da instituição Nuno Carinhas, na presença do secretário de Estado da Cultura Francisco José Viegas.

Há ainda, na programação anunciada até Dezembro, uma vertente da literatura com propostas que soam a homenagens de autores – Maria Velho da Costa, Manuel António Pina e Álvaro Lapa.

Nuno Carinhas encena “Casas Pardas” de Maria Velho da Costa (com dramaturgia de Luísa Costa Gomes), na grande produção que todos os três meses o TNSJ apresenta; João Brites do Teatro O Bando cria Ainda não é o Fim, a partir de crónicas e poemas de Manuel António Pina; e Ana Deus, vocalista dos Três Tristes Tigres e Osso Vaidoso, e João Sousa Cardoso, dão corpo a Raso como o Chão de Álvaro Lapa.

Incluídos nos projectos que, como disse Nuno Carinhas ao PÚBLICO, “mobilizaram as pessoas” em lugares da cidade que foram fonte de inspiração dos criadores, estão Arraial, criação colectiva dirigida por André Braga e Madalena Victorino e com música dos Dead Combo, Esta é a Minha Cidade e Eu Quero Viver Nela de Joana Craveiro no Mosteiro de São Bento da Vitória ou Porto S. Bento, encenação de Carinhas que abre espaço aos moradores do centro histórico do Porto como intérpretes.

Serão exemplo da presença “muito física” da música em palco Bom Dia Benjamin, de Teresa Sobral, Arraial, Ainda não é o fim e ainda Missa dos Quilombos com música integral de Milton Nascimento e que é um dos três espectáculos apresentados no quadro do Ano do Brasil em Portugal, em parceria com o TNSJ, sendo os outros dois Hell de Lolita Pille e Cartas de Maria Julieta e Carlos Drummond de Andrade.

Nadj e outros coreógrafos

Entre as várias escolhas nestes quatro meses de programação, Carinhas aponta ATEM le souffle, a nova criação do coreógrafo sérvio Josef Nadj que passou pelo Festival de Avignon e estará em Novembro no São João que co-produz.

Na programação que foi apresentada, como já vem sendo hábito, em formato de temporada parcial, até Dezembro, é aliás também notório um “percurso coreográfico muito forte” com (além de Nadj) Os Estrangeiros de Né Barros ou a Companhia Nacional de Bailado, que revisita obras da coreógrafa belga Anne Teresa De Keersmaeker.

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