Um conjunto de dez cartas de amor escritas pelo cantor dos Rolling Stones, Mick Jagger, endereçadas à cantora, actriz e modelo americana Marsha Hunt, foi vendido pela casa de leilões Sothebys por cerca de 232 mil euros.
As cartas, escritas entre Julho e Agosto de 1969, tinham uma avaliação preliminar de 86 a 123 mil euros. “A passagem do tempo valorizou essas cartas e deu-lhe um lugar na nossa história cultural”, afirmou Hunt, 66 anos, depois de concretizada a venda. “O ano de 1969 foi crucial, foi uma era revolucionária, muito influenciada pelos Beatles, Rolling Stones, James Brown ou Bob Dylan”, acrescentou. Um coleccionador particular anónimo, que participou no leilão por telefone, adquiriu o lote que tinha sido posto à venda pela própria cantora.
O leilão não fica isento de polémica. Houve quem criticasse a operação pelo facto de expor a intimidade de Jagger. A essas criticas Hunt respondeu que “os pensamentos íntimos” de personalidades públicas como Jagger “não deveriam ser propriedade apenas das suas famílias, mas do público em geral, para ser revelado quem foram realmente esses artistas influentes, para lá da sua imagem comercial.” No mês passado, Hunt, a mãe da primeira filha de Jagger, Karis, hoje com 42 anos, contou ao jornal inglês The Guardian uma versão um pouco diferente sobre as suas motivações: disse que decidira vender as cartas porque não conseguia pagar as contas. “Estou falida”, afirmou.
As cartas foram escritas na altura em que Jagger estava a trabalhar na Austrália, na qualidade de actor, no filme Ned Kelly, do realizador Tony Richardson, e mostram um lado sensível do então jovem cantor de 25 anos, que escrevia sobre a poesia de Emily Dickinson, sobre ter conhecido o escritor Christopher Isherwood ou sobre a não concretização de um projecto multimédia.
Resta dizer que a relação de Jagger com Hunt foi mantida em segredo até 1972. Ela estava em Londres, onde era ao mesmo tempo o rosto da campanha“Black is beautiful e protagonista do musical Hair. Ao que parece Hunt terá sido a inspiração para a canção Brown sugar, escrita por Jagger na Austrália. Nas cartas o cantor também fala do fim do seu relacionamento com a cantora Marianne Faithfull e da morte de Brian Jones, o guitarrista dos Rolling Stones.
Quando a filha de ambos nasceu, em 1970, Jagger não reconheceu de imediato a paternidade e não foi uma presença assídua na vida de Karis nos primeiros anos. Só viria a reconhecer a paternidade dez anos depois no contexto de uma batalha legal com Marsha. Hoje Karis e Jagger são próximos, mas a relação entre Marsha e Jagger é distante, apesar de ela dizer que não se arrepende de nada do que se passou há mais de quarenta anos. A venda das cartas coincide com o 50º aniversário dos Stones, que acabam de lançar a compilação Grrr!, que inclui dois novos temas de estúdio.

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