Basil da Cunha volta a ganhar Vila do Conde

“Os Vivos Também Choram” é uma ficção sobre um alcoólico que trabalha no porto de Lisboa DR

No 20.º aniversário do Curtas Vila do Conde, celebrando a resistência da curta-metragem feita em Portugal, é o luso-suíço Basil da Cunha que, pela segunda vez em três anos, arrecada o prémio nacional do certame, com Os Vivos Também Choram. O palmarés internacional é encabeçado pelo falso documentário do espanhol Sergio Oksman A Story for the Modlins. Manhã de Santo António, de João Pedro Rodrigues, foi a Melhor Curta Europeia.

O júri desta edição, encarregue de escolher os melhores filmes das selecções competitivas, foi composto pelas realizadoras portuguesas Margarida Cardoso e Graça Castanheira, pelo cineasta romeno Adrian Sitaru, pelo director de fotografia americano Ed Lachman e pelo crítico galego Martín Pawley.

Depois de À Côté em 2010, Basil da Cunha volta a vencer o concurso nacional com Os Vivos Também Choram, ficção sobre um alcoólico (José Pedro Gomes) que trabalha no porto de Lisboa e sonha viajar para a Suécia. Estreada na Quinzena dos Realizadores de Cannes (onde ganhou uma menção honrosa, introduz uma nota onírica no cinema naturalista do realizador.

Manhã de Santo António, de João Pedro Rodrigues, estreado na Semana da Crítica em Cannes, recebeu o prémio de melhor curta-metragem europeia, que transporta consigo a nomeação para o Prémio Europeu de Cinema na categoria de curtas. O júri atribuiu ainda uma menção honrosa na competição nacional à ficção de Leonor Noivo A Cidade e o Sol.

A Story for the Modlins apresenta-se como um documentário ficcionado que “inventa” a história de uma família americana transplantada para Madrid a partir dos pertences que deixaram após a sua morte, com a ressalva do patriarca, Elmer, ter sido figurante em A Semente do Diabo de Roman Polanski. Oksman já estivera há dois anos a concurso no Curtas com um outro falso documentário, Notes on the Other.

O júri internacional premeia ainda um filme em cada uma das três categorias da competição: assim, a melhor ficção foi Without Snow, do polaco Magnus von Horn, a melhor animação Tram, da checa Michaela Pavlatova, e o melhor documentário A Comunidade, da portuguesa Salomé Lamas.

Competição Internacional

Grande Prémio: A Story for the Modlins de Sergio Oksman

Melhor Ficção: Without Snow de Magnus van Horn

Melhor Documentário: A Comunidade de Salomé Lamas

Melhor Animação: Tram de Michaela Pavlatova

Melhor Curta Europeia: Manhã de Santo António de João Pedro Rodrigues


Competição Nacional

Melhor Filme: Os Vivos Também Choram de Basil da Cunha

Menções honrosas: A Cidade e o Sol, de Leonor Noivo


Prémio do Público: Les Enfants de la Nuit, de Caroline Deruas

Competição Experimental: Arcana de Henry Hills

Competição Videos Musicais: I Fink U Freeky de Roger Ballen

Prémio Curtinhas (Curtas-metragens para crianças): O Desespero da Laranja de John Banana

Prémio Take One (Competição de filmes de escola): Do Mundo de Manuel Guerra

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