A Assembleia da República promove segunda-feira uma conferência internacional e uma audição parlamentar para "dinamizar" o debate sobre o Acordo Ortográfico, com a presença de académicos, professores, escritores e outros intelectuais.
Em comunicado, a comissão parlamentar de Ética, Sociedade e Cultura afirma que "numa altura em que o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa volta a estar em discussão", entende a Assembleia da República "ser necessário dinamizar a audição das várias posições e opiniões que sobre a matéria se colocam".
Na conferência intervirão, entre outros, responsáveis das duas instituições que negociaram as bases científicas do acordo ortográfico - a Academia das Ciências de Lisboa e a Academia Brasileira de Letras - e do Instituto Internacional da Língua Portuguesa, sedeado em Cabo Verde.
A audição pública será dominada por um confronto entre Vasco Graça Moura, um dos mais conhecidos adversários do acordo, e Carlos Reis, que defende o diploma.
Segundo os organizadores, o Parlamento "pretende ouvir um conjunto alargado de entidades, tendo convidado professores, escritores e representantes de faculdades e de outras entidades que todos os dias fazem da Língua Portuguesa o seu instrumento de trabalho".
O Acordo Ortográfico foi rubricado em 1991 e deveria ter entrado em vigor em 1994, mas apenas três dos Estados-membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa - Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe - aprovaram o acordo e os dois protocolos modificativos entretanto estabelecidos ao mais alto nível entre os oito países.
No dia 6 de Março passado, o Governo português comprometeu-se a adoptar as medidas adequadas a garantir o necessário processo de transição, no prazo de seis anos, para a aplicação plena das alterações contempladas no acordo, mas para entrar em vigor falta a sua ratificação por parte da Assembleia da República.

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