Assembleia da República aprova votos de congratulação a João Salaviza e Miguel Gomes

João Salaviza recebeu o Urso de Ouro das mãos do realizador Dieter Kosslick Reuters

O voto de congratulação do Partido Socialista (PS), do PCP e do Bloco de Esquerda (BE) aos realizadores João Salaviza e Miguel Gomes, pelos prémios conquistados no Festival de Berlim, foram esta sexta-feira aprovados por unanimidade na Assembleia da República.

Na semana passada, Salaviza conquistou o Urso de Ouro para melhor curta com “Rafa”, o terceiro capítulo de uma espécie de trilogia iniciada com "Arena", em 2009, e continuada com "Cerro Negro" (encomenda do programa Próximo Futuro da Gulbenkian), no ano passado, enquanto Miguel Gomes, que estava em competição nas longas-metragens com “Tabu”, foi galardoado com o prémio Alfred Bauer, atribuído a um filme que abra novas perspectivas para o cinema.

No seu voto de congratulação aos dois realizadores, o BE destaca que a edição do Festival de Berlim deste ano foi “um marco para o cinema português”, lembrando o discurso de Salaviza, no momento em que recebeu o prémio, no qual lamenta que em Portugal haja “cada vez menos espaço para os filmes portugueses” nos circuitos de distribuição e na televisão.

Também Miguel Gomes fez questão de se referir a cineastas como Manoel de Oliveira, João César Monteiro, Pedro Costa, Fernando Lopes ou Paulo Rocha, destacando que estes realizadores “nos últimos 50 anos conseguiram fazer um cinema independente do poder político e do poder económico”.

“Numa altura em que o cinema em Portugal atravessa tantas dificuldades, o reconhecimento tão expressivo da qualidade do cinema português, num festival desta dimensão, assume particular relevância. Somos todos convocados para a importância de assegurar a continuidade da produção cinematográfica em Portugal e o acesso da população ao cinema português”, escreve o Bloco de Esquerda.

Quando soube da vitória dos portugueses na Berlinale, o secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, disse à Lusa que estes prémios são “a prova de que o apoio ao cinema e ao audiovisual nacionais tem de continuar, merecendo o contributo e a homenagem de distribuidoras, produtoras, televisões e público, entre outros agentes interventivos do sector”.

Viegas destacou ainda o reconhecimento internacional combaterá “ideias erradas em torno da qualidade do cinema português, comprovando que o cinema nacional atingiu um nível de qualidade muito apreciável que deve ter resposta numa boa exibição”, esperando assim que o público português procure cada vez mais as produções nacionais.

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