Anish Kapoor inaugura grande “não-retrospectiva” em Berlim

A maior exposição da carreira do artista britânico de origem indiana abre neste sábado na galeria Martin-Gropius-Bau, onde vai ficar até 24 de Novembro.

São sete dezenas de peças que ocupam 3000m2 num andar inteiro do edifício oitocentista do museu berlinense, e metade delas foram criadas expressamente para esta mostra que se chama, muito apropriadamente, Kapoor in Berlin. O artista recusa, no entanto, a ideia de que se trata de uma exposição retrospectiva.

“Não vejo razão para fazer uma retrospectiva”, disse o artista em entrevista ao jornal britânico The Guardian. “Deixem que alguém faça essa retrospectiva por mim. Não me parece haver nenhuma razão para me agarrar agora ao passado. Em vez disso, é preciso continuar e fazer coisas novas. Interessa-me é fazer avançar o meu trabalho e ver onde consigo chegar, se vai resultar ou não”, acrescentou Kapoor.

Na apresentação da nova exposição na capital alemã, o Prémio Turner de 1991 elogiou também este país e realçou “o respeito muito saudável” que os alemães manifestam relativamente às artes e aos artistas, “bem diferente” – disse – daquilo que acontece em Inglaterra, onde se tem “medo de tudo o que é intelectual, estético, visual”.

Anish Kapoor – que, em Londres, já apresentou grandes exposições na Royal Academy e no Turbine Hall da Tate Modern – explicou também aos jornalistas, na apresentação da exposição, que a Berlim tem hoje em dia uma forte comunidade artística, onde se encontram, entre muitos outros, os artistas britânicos seus amigos Douglas Gordon e Tacita Dean. “Berlim é uma cidade do que é alternativo”, disse o escultor, citado pela agência de notícias Associated Press.

A peça central da exposição de Kapoor na Martin-Gropius-Bau é Symphony for a beloved sun: sob uma ampla clarabóia, uma estrutura metálica gigante, com um disco vermelho ao centro, surge ligada por cintos ao chão e às paredes, derramando cera... Uma peça sobre a qual o autor disse não ter “nada a dizer”: “Eu não trabalho a pensar num conteúdo explícito”, justificou, acrescentando que “a arte abstracta tem essa capacidade de fazer com que o conteúdo fale por si só”, sem necessidade de mais explicação.

Anish Kapoor, nascido em Bombaim em 1954, é um dos escultores britânicos mais influentes da sua geração. Fixou-se e começou a trabalhar em Londres no início dos anos 1970 e a sua obra está representada nas colecções dos grandes museus internacionais, como a Tate Gallery, o MoMA de Nova Iorque, o Museu Reina Sofia, em Madrid, ou o Stedelijk Museum, em Amesterdão.
 

 

 
 

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