Amor é o filme do ano para os críticos norte-americanos

Por estar a ser amplamente premiado, Haneke retirou o seu filme dos prémios da Academia de Cinema Austríaca, de forma a dar oportunidade a outros cineastas do seu país.

Haneke com Emmanuelle Riva e Jean-Louis Trintignant na rodagem do filme DR

A pouco mais de um mês da cerimónia dos Óscares, e dias antes de serem anunciadas as nomeações, o filme do austríaco Michael Haneke continua a somar distinções. Desta vez, Amor foi eleito o melhor filme pela Associação Nacional dos Críticos de Cinema dos Estados Unidos (National Society of Film Critics).

A Emmanuelle Riva, que protagoniza o filme ao lado de Jean-Louis Trintignant, foi entregue o prémio de melhor actriz e Haneke somou mais uma distinção na categoria de melhor realizador.

Depois de ter sido aplaudido pela crítica, tendo conquistado nas últimas semanas vários prémios entre os críticos de Los Angeles, Chicago, Boston ou Nova Iorque, agora foi a maior associação de críticos que elegeu o filme, que se estreou este ano no Festival de Cannes, onde recebeu a Palma de Ouro.

Amor retrata a vida de um casal na terceira idade, que se vê obrigado a mudar de vida depois de Anne (Riva) sofrer um acidente cardiovascular. Apesar de ser o candidato austríaco à nomeação para o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro, Haneke decidiu retirar o filme das nomeações aos prémios de cinema austríaco, promovidos pela Academia de Cinema de Áustria, alegando que foi rodado em língua francesa e carece de um certificado de origem austríaca. O filme estava nomeado, mas o realizador pretende assim abrir caminho a outros cineastas austríacos, que eles possam ter oportunidade de brilhar. Numa carta enviada à Academia Austríaca, o produtor de Amor, Veit Heiduschka, explica que Haneke “já foi reconhecido internacionalmente pelo filme, e por isso é que outro filme austríaco deve ter a mesma oportunidade”. Marlene Ropac, directora da Academia, elogiou a decisão do realizador, considerando que este teve um “gesto muito nobre”.

Além da Palma de Ouro, a segunda de Haneke depois de O Laço Branco, em 2009, Amor, que foi também considerado o filme do ano para a National Board of Review, venceu os Prémios do Cinema Europeu.

Nas outras categorias dos prémios dos críticos norte-americanos, Daniel Day-Lewis, que no filme de Steven Spielberg, Lincoln, dá vida ao 16º presidente dos EUA, foi considerado o melhor actor. Destaca-se assim na corrida aos Óscares e caso vença a  estatueta tornar-se-á no primeiro homem, na história, a conquistar pela terceira vez o Óscar de Melhor Actor: ganhou em 1990 com O Meu Pé Esquerdo de Jim Sheridan e em 2008 com Haverá Sangue de Paul Thomas Anderson. E será o primeiro intérprete de um filme de Spielberg a receber o Óscar.

Nas categorias secundárias, o prémio de melhor actor foi para Matthew McConaughey, pelo seu papel em Magic Mike, e Amy Adams, por O Mentor.

Lincoln arrecadou ainda o prémio de melhor argumento e O Mentor recebeu o prémio de melhor fotografia.

O prémio de melhor filme não-ficção foi entregue a The Gatekeepers, que concorria com o documentário Isto Não é um Filme, do iraniano Jafar Panahi, que recebeu, no entanto, o prémio de melhor filme experimental.

A Associação Nacional dos Críticos de Cinema dos Estados Unidos, constituída por 60 críticos de cinema de todo o país, todos os anos elege os seus melhores. Na edição dos prémios do ano passado, Melancolia, de Lars von Trier, foi o melhor filme. 

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