Amigos do Museu de Arqueologia ameaçam com “resistência cívica” e “acção popular”

A eventual transferência do MNA dos Jerónimos para a Cordoaria foi anunciada pelo Ministério da Cultura PÚBLICO (arquivo)

O Grupo de Amigos do Museu Nacional de Arqueologia (GAMNA) está disposto a avançar para a “resistência cívica, por todo os meios legais ao [seu] alcance, inclusive o de acção popular” se forem retiradas ao museu algumas das suas áreas actuais “antes de haver condições de mudança para qualquer outro local que seja”.

Numa declaração sobre a eventual transferência do MNA dos Jerónimos para a Cordoaria anunciada pelo Ministério da Cultura, os amigos do museu referem-se em especial à chamada Torre Oca, “espaço que sempre esteve abandonado, até que há cerca de quinze anos foi colocado sob a alçada do MNA e onde, desde então, puderam centenas de milhar de pessoas ver exposições, assistir a espectáculos e conferências”. Terá sido discutida a possibilidade de a Torre Oca ser entregue, já numa primeira fase, ao Museu da Marinha (ao qual estava afecta desde os anos 60).

Numa fase posterior, se se confirmar a saída do MNA, o espaço deixado livre seria também entregue ao Museu da Marinha que, por seu lado, cede a Cordoaria. Na origem destas mudanças está a necessidade de libertar as instalações das antigas Oficinas Gerais de Material do Exército, onde se encontram serviços ligados à arqueologia, para aí construir o novo Museu dos Coches.

O GAMNA diz repudiar “a ousadia de se pretender decidir o futuro de um dos mais importantes museus nacionais em função de uma urgência circunstancial” e acrescenta que “dos governantes se espera que sejam pessoas de bem e que se informem com seriedade dos dossiers que o acaso das vicissitudes políticas colocam à sua guarda”. Por isso, “exige” que o Ministério da Cultura oiça o Conselho Nacional de Cultura antes de uma decisão definitiva.

Também o Fórum Cidadania Lx lançou ontem uma petição intitulada “Salvem os Museus Nacionais dos Coches e de Arqueologia e o Monumento da Cordoaria Nacional!”. Os promotores da iniciativa consideram que o projecto do novo Museu dos Coches “constitui um verdadeiro ‘terramoto’ de efeito de ricochete na museologia nacional”.

Hoje, a meio da tarde, a petição já tinha recolhido 246 assinaturas, sendo os primeiros signatários a professora de História da Arte Raquel Henriques da Silva (que pertence ao GAMNA), o arquitecto Nuno Teotónio Pereira e o presidente da Associação dos Arqueólogos Portugueses, José Morais Arnaud. Entre os signatários do documento está também o director do MNA, Luís Raposo.

O Fórum Cidadania Lx insurge-se ainda contra a construção de um novo museu para os Coches. Tendo-se já concluído que o actual edifício dos Coches “está impossibilitado de acolher a Escola Portuguesa de Arte Equestre”, os signatários temem que o antigo Picadeiro Real fique assim “subutilizado”.

Quanto à Cordoaria, lembram que se trata de um monumento nacional e consideram que uma intervenção que fosse uma “mera adaptação” a um novo museu “pré-figuraria uma atitude de vandalismo de Estado”.

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