São dois filmes - um sobre o auto da paixão e sobre a cidade onde nasceu Bento XVI - que passam no Indie sexta e sábado.
Jesus por um Dia, de Verónica Castro e Helena Inverno, filma a preparação de um auto da paixão numa aldeia próxima de Bragança. O Rebanho do Senhor, de Romuald Karmakar, é um documentário em duas partes bem distintas: na primeira, apresenta a transformação de Marktl am Inn, a cidade onde viveu Joseph Ratzinger, logo após a sua eleição, na segunda parte, o filme recua até ao funeral de João Paulo II.
Em ambos os casos, a opção da realização é a de narrar a história através dos diálogos dos próprios intervenientes. Formalmente, há também uma coincidência na opção por planos longos e fixos.
No filme português, há uma imagem que serve de refrão: um crucifixo aparece de vez em quando a ser retocado. Os presos fazem parte de reinserção social, ensaiam os diálogos para a via-sacra, fazem comentários jocosos ou mais sérios. Os diálogos são, por vezes, como que um pano de fundo. O que interessa são os rostos, os gestos, os olhares. Mas o documentário acaba por não penetrar nos protagonistas nem nos seus olhares. Fica-se à porta das razões profundas do envolvimento das pessoas.
O mesmo acontece com o segundo documentário. Na primeira parte, O Rebanho do Senhor mostra os turistas que, logo no dia seguinte à eleição de Bento XVI, em Abril de 2005, se fazem fotografar diante da casa onde vivera Joseph Ratzinger antes de se tornar cardeal. Criadores de “bolo do Papa” ou de marcas de cervejas, chás, mel e outros produtos com o nome de Ratzinger ou Bento XVI aparecem sucessivamente a explicar porque decidiram investir naquela nova “marca” para fazer dinheiro. Na segunda parte, o filme recua onze dias para mostrar a devoção, a intensidade da emoção religiosa, mas também as pequenas tricas, os cansaços e os protestos na longa fila de dois ou três milhões de pessoas que, durante quatro dias, encheu Roma de pessoas para ver o corpo de João Paulo II.
Também neste caso, o filme fica à porta. Aliás, a realização faz uma opção interessante por permanecer na periferia – nunca se mostra a urna de João Paulo II, apenas os rostos emocionados, agradecidos. A opção por longos planos fixos de rostos de peregrinos até poderia resultar, mas a câmara é incapaz de penetrar na profundidade dos gestos e dos olhares. É o contrário do que diz um dos peregrinos que chega a Marktl am Inn: “Quando Deus actua, o mundo não fica como está.”
O Rebanho do Senhor
Sexta, 27, 16h30, cinema Londres,
Domingo, 29, 14h45, cinema Londres
Jesus por um dia
Sábado, 28, 19h00, cinema Londres
Quinta, 3 Maio, 16h30, cinema Londres

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