O MNAC vai ser o segundo museu português a aderir ao maior dos catálogos de arte digital. Até ao fim do ano vai disponibilizar 100 obras nesta plataforma.
Dois anos depois do lançamento, a representação portuguesa no Google Art Project vai finalmente aumentar. O Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado (MNAC), em Lisboa, vai juntar-se ao Museu Colecção Berardo, até agora o único português no projecto da Google. Ainda não se sabe quando estará disponível mas já é certo que vai acontecer em 2013. Disponíveis gratuitamente vão estar 100 obras, o número suficiente para representar em pleno a colecção do Chiado, acredita o seu director.
Foi a propósito do segundo aniversário do Google Art Project, que conta já com mais de 200 museus e galerias de todo o mundo, que Amit Sood, fundador do projecto, falou com o PÚBLICO em Abril mostrando vontade de nele incluir mais museus portugueses. Não sabia, no entanto, Amit Sood, também director do Google Cultural Institute, nem o PÚBLICO, que o Museu do Chiado já tinha apresentado a sua candidatura no ano passado.
"Neste momento o processo está quase finalizado, faltam apenas uns detalhes e talvez em Junho já consigamos ter as imagens disponíveis no Google Art Project", revelou ao PÚBLICO Paulo Henriques, director do MNAC, explicando que quando em Agosto de 2012 chegou à direcção do museu o projecto já estava encaminhado. "Foi um trabalho da minha antecessora, a arquitecta Helena Barranha, e da então responsável da comunicação, Anabela Carvalho, que tiveram como estratégia procurar a Google e propor a presença do Museu do Chiado nesta plataforma", explica Henriques, destacando a importância de o museu não ter ficado à espera de ser contactado. "É difícil ter percepção de todos os museus e por isso há efectivamente que avançar."
Entrar em contacto com a própria organização do Google Art Project é, de facto, uma forma de se poder entrar no projecto, do qual fazem parte alguns dos mais importantes museus e instituições do mundo como o Museum of Modern Art (MoMA), em Nova Iorque, o Rainha Sofia, em Madrid, ou a Galleria degli Uffizi, em Florença. Ao todo são já mais de 40 mil obras disponibilizadas via Internet e em alta definição, às quais se vão juntar agora mais 100 com carimbo português.
Uma constelação
A selecção das peças do museu do Chiado que vão ficar disponíveis online foi feita pelos conservadores das diferentes colecções para que todo o acervo do museu pudesse estar representado na sua diversidade. Maria de Aires fez a escolha do século XIX, Adelaide Ginga a do seguinte, e Emília Tavares seleccionou a fotografia e o vídeo. "Só assim conseguimos estabelecer um percurso de 1850, que é a referência cronológica do início da colecção do MNAC, até à actualidade", diz Paulo Henriques, garantindo que com as 100 obras disponibilizadas o utilizador ficará com "uma boa percepção daquilo que é o museu, assim como ficará a par dos autores de referência da arte portuguesa deste período".
Entre as escolhas, Paulo Henriques assegura que estão várias estrelas da colecção, das quais destaca obras como Cinco Artistas em Sintra (1855), de João Cristino da Silva, O Grupo do Leão (1885) e Concerto de Amadores (1882), de Columbano Bordalo Pinheiro, Nocturno (1910), de António Carneiro, e O Gadanheiro (1945), de Júlio Pomar. "Mas teremos também obras de Cristiano Cruz, Amadeo de Souza-Cardoso, Mário Eloy, Fernando Lemos, Fernando Lanhas, Francisco Franco ou Júlio Ventura", continua o responsável, acrescentando que "todas as disciplinas de que o museu se ocupa [a pintura, a escultura, o desenho, a fotografia e o vídeo] estarão representadas". "Isto é uma constelação. Aponta um caminho para a colecção que não se esgota nestas 100 peças."
Com isto, o actual director do MNAC espera não só conseguir uma maior divulgação para o museu, e assim atrair mais visitantes, como também despertar a atenção de outros museus portugueses para o Google Art Project. "Era benéfico para toda a gente se mais museus avançassem para este projecto. Era bom para a divulgação dos museus e das suas colecções", defende Paulo Henriques. "Por vezes esquecemo-nos um bocadinho de que a matriz dos museus são as colecções próprias, é isso que traça a sua identidade", continua o responsável, que acredita que, se o número de instituições portuguesas aumentar, é possível marcar uma "posição internacional": "Pode começar-se a divulgar uma imagem de que o património de Portugal é interessante. Tem as suas características próprias e merece ser divulgado, visitado e conhecido", acrescenta, concluindo, sem qualquer hesitação, que "mais museus deviam propor-se a este trabalho".
Também a Google espera que o número de museus portugueses possa aumentar nos próximos tempos. Sobre o caso específico do MNAC, uma fonte da empresa disse ao PÚBLICO que "as coisas estão a avançar bem". "Estamos em contacto directo e permanente com o museu", esperando que "muito em breve" as obras "possam ser vistas e admiradas pelos utilizadores portugueses e do resto do mundo".

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