Dez horas para cinco minutos

Entre o tempo que se perde a decidir que concerto ver a seguir, o tempo que se perde a confirmar em que palco é o concerto que se decidiu ver a seguir, o tempo que se perde a chegar até lá sem alienar ninguém pelo caminho, o tempo que se perde ao telemóvel a explicar a quem ficou pelo caminho exactamente em que ponto entre o PA e a barraca das caipirinhas nos pode encontrar, o tempo que, já que estamos aqui mesmo ao lado, se perde na fila para as caipirinhas e o tempo que se perde a constatar que afinal o concerto não está a ser assim tão bom e podíamos ir espreitar outro, é possível passar dez horas no Primavera Sound e não ver nenhum concerto. Pior: é possível passar dez horas no Primavera Sound e não ver o único concerto que se queria de facto ver (e que, como um azar nunca vem só, será precisamente aquele que toda a gente passará o resto do ano a dizer que foi o melhor de todos).