A Península Ibérica foi o último alvo do olho a cores do Envisat, o satélite da Agência Espacial Europeia (ESA) que desde 2002 observava a Terra. A agência continua a tentar entrar em contacto com o satélite.
O aparelho já tinha ultrapassado em cinco anos o tempo de vida previsto, e a 8 de Abril a ESA deixou de receber dados.
A última imagem a cores que enviou foi uma Península Ibérica quase sem nuvens. Quatro minutos depois, o Envisat fechava definitivamente os olhos depois de ainda fotografar, a preto e branco, as Ilhas Canárias.
Uma equipa tentou restabelecer contacto com o satélite nos últimos dias, sem ter sucesso, segundo um comunicado da ESA. O objectivo é manter o aparelho funcional até o seu sucessor entrar em órbita.
Mais de 4000 projectos de investigação, em 70 países, utilizaram informação enviada pelo Envisat, que tem dez instrumentos científicos a bordo.
Ao longo das mais de 50.000 voltas que deu à Terra, o aparelho recolheu informação sobre os continentes, os oceanos, as calotes de gelo e a atmosfera terrestre. Tudo está arquivado e disponível para consulta.
Se o Envisat não voltar a trabalhar, a ESA deverá socorrer-se do satélite Radarsat, da Agência Espacial Canadiana, ao abrigo de um acordo entre as duas agências, para que alguns projectos científicos possam continuar.
A ESA pretende lançar um conjunto de satélites da missão Sentinela, no âmbito do programa Global de Monitorização do Ambiente e Segurança. Estes aparelhos vão substituir o Envisat, mas o primeiro só vai para o espaço no próximo ano.
“A interrupção dos serviços do Envisat torna urgente o lançamento dos satélites Sentinela”, considera Volker Liebig, director da ESA para os Programas de Observação da Terra. O ambiente, as alterações climáticas e a segurança civil são as áreas em que os satélites Sentinela serão utilizados.

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