Todos os ingredientes estão a postos para que volte a ocorrer amanhã uma “chuva de poeiras” em Portugal, tal como aconteceu há cerca de dois meses. A culpa é do deserto do Sara.
O país tem estado, nos últimos dias, sob a influência de uma nuvem de poeiras vindas do Norte de África – um fenómeno natural comum na Península Ibérica. A concentração de partículas em suspensão tem estado elevada e ultrapassou os limites máximos diários nalguns pontos do território.
A chuva prevista para este sábado, vinda do Oeste, promete resolver o problema para os pulmões, transferindo-o para as superfícies que encontrar pelo caminho. “A chuva vai lavar a atmosfera”, afirma Joana Monjardino, do Departamento de Ciências e Engenharia do Ambiente da Universidade Nova de Lisboa, que acompanha diariamente a evolução da pluma do deserto.
Resultado: depois da chuva – que o Instistuto de Meteorologia prevê fraca – é expectável que os carros, janelas, varandas e roupas estejam cobertos de poeiras transportadas pelo ar por centenas de quilómetros.
Este evento natural ocorre num momento em que a Agência Portuguesa do Ambiente suspendeu a divulgação da previsão da qualidade do ar, que mantinha no seu site na Internet há alguns anos. A suspensão deveu-se a dificuldades na renovação de um contrato com a Universidade Nova de Lisboa, que presta este serviço, também com a participação da Universidade de Aveiro.
O Instituto de Meteorologia prevê, para amanhã, um dia muito nublado, com chuva fraca ou chuvisco em boa parte do país. As temperaturas, que estiveram nos últimos dias acima dos 30 graus Celsius, vão cair para máximas de 23 graus em Lisboa, 20 no Porto, 23 em Faro e 27 em Évora.

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