Planeta, ou anã-castanha, vagueia sem estrela pelo cosmos

A descoberta de um novo corpo à deriva pode dar mais pistas sobre a formação dos planetas e das estrelas. Será um planeta ou uma estrela falhada?

Visão artística do planeta à deriva L. Caldada et al/ESO

A 100 anos-luz de distância da Terra, vagueia pelo cosmos um mundo várias vezes maior do que Júpiter. Tem a massa de um planeta, mas não anda à volta de nenhuma estrela e passeia-se livremente pelo Universo.

Apesar de já terem sido encontrados outros objectos semelhantes, a descoberta, feita com o telescópio VLT do Observatório Europeu do Sul, no Chile, e o telescópio Canadá-França-Havai, mostra que este é aquele que está mais perto do nosso sistema solar. Até agora, é o melhor candidato ao título de planeta vagabundo.

Com o nome CFBDSIR2149, este objecto terá entre 50 e 120 milhões de anos e uma massa quatro a sete vezes a de Júpiter, o que faz dele um possível planeta. Se tivesse 13 vezes a massa de Júpiter já não podia ser um planeta, mas sim uma anã-castanha, um objecto considerado uma estrela falhada. Com aquela massa, já seria possível que o deutério (uma forma de hidrogénio) no seu interior iniciasse alguma fusão dos átomos, mas não a suficiente para a fazer brilhar como uma estrela. Só na década de 1990 é que se detectaram as primeiras anãs-castanhas.

Como surgiu este estranho mundo agora descoberto não se sabe, mas pode ter sido de duas formas: ou um planeta foi expulso do seu sistema solar ou nasceu já como objecto solitário.

O grande desafio dos astrofísicos é, agora, classificá-lo e dizerem se este vagabundo cósmico é mesmo um planeta ou uma estrela falhada. “Nos últimos anos foram encontrados muitos objectos deste tipo”, diz um dos responsáveis do projecto, Jonathan Gagné, da Universidade de Montreal, num comunicado.

Philippe Delorme, o coordenador do estudo, sugere mais investigação para esclarecer o mistério, que pode ajudar a aprofundar o conhecimento sobre a formação das estrelas e dos planetas. “Estes objectos são importantes porque nos podem ajudar a compreender a forma como os planetas são ejectados dos seus sistemas planetários ou como podem surgir objectos leves no processo de formação de estrelas”, sublinha Philippe Delorme, do Instituto de Planetologia e Astrofísica de Grenoble, em França. “Se este pequeno objecto for um planeta ejectado do seu sistema nativo, isso traz-nos à mente a imagem de mundos órfãos à deriva pelo vazio do espaço.”
 

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