Um relativo avanço é o resultado de uma ronda informal de negociações da ONU sobre o futuro do Protocolo de Quioto e um novo tratado para o combate às alterações climáticas.
Concluídas esta quarta-feira em Banguecoque, Tailândia, as negociações são preparatórias da conferência climática anual das Nações Unidas – que começa no final de Novembro em Doha, no Qatar – e da qual mais uma vez se esperam decisões centrais para travar o aquecimento global.
Uma delas é sobre o futuro do Protocolo de Quioto – o acordo que obriga apenas os países desenvolvidos a reduzirem as suas emissões de CO2 – cujo primeiro período de cumprimento termina este ano. Em Doha, espera-se a aprovação de uma emenda, lançando um segundo período de cumprimento com efeito já a partir de Janeiro de 2013.
A reunião de Banguecoque resultou num “documento não oficial delineando os elementos de uma decisão final” sobre Quioto e fez um balanço do que separa os diferentes países em relação à duração do segundo período de cumprimento – segundo um comunicado do secretariado da Convenção Quadro das Nações Unidas para as Alterações Climáticas.
Sem a participação de alguns dos maiores emissores mundiais de CO2 – como os Estados Unidos, Rússia, Canadá e Japão – um segundo período de Quioto fará pouco, porém, pelo combate às alterações climáticas. O essencial está agora concentrado num novo acordo, mais abrangente, que também começou agora a ser discutido. Segundo uma decisão adoptada no final do ano passado, na conferência climática de Durban, na África do Sul, um novo “protocolo, instrumento legal ou resultado acordado com força legal” deverá ser aprovado em 2015, para entrar em vigor em 2020.
Os primeiros passos neste sentido foram agora dados em Banguecoque, com as discussões iniciais sobre o formato deste futuro novo acordo e sobre outras medidas a tomar antes de 2020.
“Ainda há decisões políticas difíceis pela frente, mas agora temos um momento positivo e um maior sentimento de convergência que irá estimular as discussões antes de Doha e conferir um ritmo mais rápido ao trabalho quando a conferência começar”, afirma a secretária-executiva da ONU para as alterações climáticas, Christiana Figueres.
Para a organização ambientalista internacional Greenpeace, a reunião de Banguecoque obteve “algum progresso nos detalhes, mas sem que os governos mostrassem a ambição e a vontade necessárias para resolver a crise climática” – segundo um comunicado.
A Greenpeace defende não só a adopção das medidas agendadas para a conferência de Doha – o lançamento de Quioto-2 e um roteiro claro para um novo tratado climático – como também a colocação imediata de pelo menos 15 mil milhões de dólares anuais (12 mil milhões de euros) no Fundo Verde Climático, criado em 2009 para ajudar os países mais pobres e que promete dispor, em 2020, de 100 mil milhões de dólares anuais (79 mil milhões de euros).

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