Investigação publicada na Cell

Nasceram em laboratório as primeiras quimeras de macacos

As quimeras roku e hex DR

São macacos rhesus de corpo inteiro, os que nasceram em laboratório. Tecido a trabalhar com tecido, sistemas a funcionarem em pleno. Mas quem for comparar o ADN de uma célula com o ADN da célula ao lado pode encontrar dois genomas completamente diferentes, mostra um estudo publicado online nesta quinta-feira na revista Cell, que dá um passo em frente na manipulação de embriões em primatas.

Normalmente um embrião desenvolve-se a partir de uma célula que é fruto da fusão de um óvulo com um espermatozóide, o que resulta num genoma único e num animal original. Desta vez os cientistas conseguiram juntar seis embriões de macacos rhesus diferentes, cada um apenas com quatro células. Os embriões misturaram-se, produzindo apenas um animal que tem células provenientes dos diferentes embriões, com ADN diferente. Ou seja, uma quimera.

Tinham-se conseguido obter quimeras de ratos e de outras espécies, mas o conceito nunca tinha sido reproduzido em primatas. “As células nunca se fundem, mas ficam juntas e trabalham em conjunto para formar tecidos e órgãos”, explicou Shoukhrat Mitalipov, em comunicado. O cientista do Centro Nacional de Oregon para a Investigação de Primatas, da Universidade de Ciência e Saúde de Oregon, EUA, líder da investigação e último autor do artigo. “As possibilidades para a ciência são enormes.”

O sucesso da experiência não veio do pé para a mão. A equipa começou por repetir a técnica utilizada para criar quimeras de ratos. Colocaram células estaminais embrionárias de macacos rhesus produzidas em laboratório, que podem originar todo o tipo de tecidos, num embrião do primata um pouco mais desenvolvido, em que já existe uma bola externa de células que vai dar a placenta e uma bolinha interna de células pluripotentes que originará o animal.

As células estaminais de laboratório foram colocadas na bolinha interna. Mas nos macacos rhesus a experiência falhou. As células pluripotentes estavam numa fase mais adiantada do que as suas equivalentes nos embriões de ratos. Para Mitalipov, isto mostra que ainda se sabe muito pouco sobre o que as células pluripotentes dos primatas são capazes de fazer. A equipa teve que misturar embriões completos, numa fase bem mais precoce, para ter sucesso. Da experiência, nasceram três macacos rhesus: os gémeos falsos roku e hex, e chimero.

“Não podemos utilizar o rato como modelo de tudo”, disse o cientista. “Se queremos passar das terapias de células estaminais no laboratório para testes clínicos, e dos ratos para humanos, temos que compreender o que é que as células dos primatas conseguem e não conseguem fazer. Temos que estudá-las em humanos, incluindo embriões humanos”, referiu, acrescentando que, no entanto, ninguém queria produzir quimeras humanas.

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