Morreu Wilson Greatbatch, inventor do pacemaker

O norte-americano teve mais de 150 patentes DR

Para Wilson Greatbatch a invenção era um acto de amor e cada invento que resultava valia outros nove que eram só frustrações. O norte-americano de 92 anos morreu nesta terça-feira de uma causa desconhecida, mas deixa um legado de respeito. O pacemaker – a sua criação mais famosa, que mantém os corações a bater – continua a ser a salvação para centenas de milhares de pessoas, todos os anos.

Há mais de 50 anos que este pequeno aparelho tem prolongado a vida de doentes. Greatbatch passou vários anos da década de 1950 a desenvolvê-lo, enquanto trabalhava na Universidade de Cornell e depois na Universidade de Buffalo. Terminou-o em 1958. Dois anos depois um paciente de 77 anos que estava num hospital para veteranos de guerra recebeu o primeiro pacemaker e viveu com ele durante mais 18 meses.

Em 1983, a Sociedade Profissional dos Engenheiros Profissionais listou o pacemaker nas dez invenções mais importantes dos últimos 50 anos. Esta foi apenas uma das mais de 150 patentes que Greatbatch recebeu ao longo da vida.

O norte-americano nasceu a 6 de Setembro de 1919, em Buffalo e desde a adolescência que era um interessado na tecnologia do rádio. “Acho que foi o mistério que me atraiu [à tecnologia do rádio]. Havia alguma coisa que estava a acontecer e que não se conseguia ver ou sentir”, disse citado num artigo biográfico do instituto Smithsonian.

Durante a Segunda Guerra Mundial teve oportunidade de exercitar esse fascínio nos navios de guerra. Quando voltou, casou-se com Eleanor Wright, de quem teve uma filha e quatro filhos e com quem viveu durante 60 anos.

Greatbatch tirou mais tarde o curso de engenharia em Cornell, depois de já estar casado e sustentar a família. Em 1970 abriu uma empresa que produzia as baterias para o pacemaker. Em 1996 recebeu o prémio Lemelson-MIT por reconhecimento de carreira e dois anos depois foi admitido no Hall of Fame dos inventores norte-americanos, em Akron, Ohio.

Durante todo este tempo não parou de inventar. “Nove coisas em dez não resultam”, dissera em 1997 à Associated Press. “A décima compensa as outras nove.”

Nos últimos anos enveredou pela luta contra a sida, onde inventou instrumentos para a pesquisa e desafiou os cientistas da próxima geração a desenvolver a fusão nuclear, através de um tipo de hélio que é mais abundante na Lua. O inventor acreditava que os combustíveis fósseis vão desaparecer até 2050.

Sobre a natureza da invenção, Greatbatch defendia junto das crianças das escolas onde ia falar que o prémio está no trabalho em si durante o acto de criar. Procurar o sucesso ou ter medo do erro eram um engano “Os nossos hospitais psiquiátricos estão cheios de pessoas que não resistiram ao sucesso, ou que não foram capazes de enfrentar a falha”, disse em 1997, citado pelo Boston Globe.

Nas suas memórias, vai mais longe: “Pedir pelo sucesso da experiência, pelo estatuto profissional, por uma recompensa financeira ou por aprovação dos pares é pedir para ser pago por algo que deve ser um acto de amor.”

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