Mais de 150 índios ocupam barragem de Belo Monte na Amazónia

Raoni pediu, na Rio+20, o fim da barragem Christophe Simon/AFP

Um dos estaleiros das obras de construção da barragem de Belo Monte, no coração da Amazónia brasileira, está ocupado há cinco dias por 150 índios que exigem a presença do director da empresa responsável pelos trabalhos.

“Os índios ocupam o estaleiro Pimentel e aguardam a chegada, prevista para quinta-feira, do director do Consórcio Norte Energia, Carlos Nascimento”, disse o porta-voz do Conselho Missionário Indígena (Cimi) local, Cleanton Ribeiro.

“Eles já não acreditam nas promessas [feitas há mais de um ano] e dizem que só vão sair do local quando virem acções concretas”, acrescentou.

Os índios – Xicrin, Juruna, Aarara, Aawete, Assurini e Parakanawa – pedem a delimitação das suas terras e a expulsão dos invasores, a melhoria do sistema de saúde, de água potável e do saneamento básico.

A barragem, que está a ser construída no rio Xingu, tem um custo de 13 mil milhões de dólares (10,4 mil milhões de euros) e vai fornecer 11.233 megawatts, ou seja, 11% da capacidade instalada do Brasil.

A obra implica a inundação de 502 quilómetros quadrados mas as terras dos índios não serão afectadas. Ainda assim, a construção da barragem ameaça alterar o modo de vida das comunidades que vivem nas suas proximidades, uma vez que estas não poderão pescar no rio, como modo de subsistência.

O Consórcio Norte Energia afirma que 117 projectos sócio-económicos e ambientais já estão em curso na região, orçados em 117 milhões de dólares (93,6 milhões de euros), segundo o diário económico Valor. Além disso, o Governo brasileiro prevê investimentos de 1,2 mil milhões de dólares (960 milhões de euros) até ao final dos trabalhos, em 2019, para reduzir os impactos negativos da construção.

O chefe índio brasileiro Raoni, de 82 anos, conhecido em todo o mundo pelo seu combate a favor da Amazónia e dos povos índios, pediu o fim da construção da barragem na semana passada no Rio de Janeiro, à margem da conferência da ONU sobre desenvolvimento sustentável, Rio+20.

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