O físico português João Magueijo, do Imperial College de Londres, esteve nesta quinta-feira no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa, para dar a palestra Majorana, Partícula e Homem: Qual deles o pior? Hoje à tarde, sexta-feira, fala do seu último livro, na FNAC do Vasco da Gama, também em Lisboa.
A palestra de João Magueijo, inserida nas Conferências de Natal, que o Pavilhão do Conhecimento organiza este ano pela primeira vez, tem por base o seu último livro: O Grande Inquisidor – A Vida Extraordinária e o Desaparecimento Misterioso de Ettore Majorana, Génio Atormentado da Era Nuclear, lançado em 2009 nos Estados Unidos e que chegou a Portugal em 2011, editado pela Gradiva. Esta sexta-feira, pelas 18h30, o autor estará na FNAC do Centro Comercial Vasco da Gama, em Lisboa, para conversar com os leitores sobre o livro.
Numa noite de Março de 1938, Ettore Majorana, físico teórico italiano, apanhou um navio de Nápoles para Palermo e, levando o passaporte e o equivalente a 50 mil euros, desapareceu para sempre. Tinha 31 anos, ninguém sabe o que aconteceu, o corpo nunca foi encontrado.
Para trás, Majorana deixou uma relação difícil com a mãe; uma depressão em que pouco saía do quarto; um famoso grupo de físicos liderados por Enrico Fermi, com quem mantinha um relacionamento difícil e olhava com altivez; e uma proposta para descrever o comportamento de uma partícula misteriosa, o neutrino, que quase não interage com a matéria e cuja existência teórica tinha sido apresentada alguns anos antes (em 1930, pelo austríaco Wolfgang Pauli). A proposta avançada pelo físico italiano para essa partícula ficou conhecida como “neutrino de Majorana”.
Não resistindo ao fascínio que o físico italiano lhe desperta há cerca de duas décadas, Magueijo foi atrás dos passos de Majorana e da sua família – e o resultado foi o seu segundo livro.
O físico português tornou-se conhecido fora da comunidade científica depois de ter publicado, em 1999, um artigo que punha em causa o postulado de que a velocidade da luz é constante. Einstein pode ter-se enganado quando fez assentar a teoria da relatividade na constância da velocidade da luz, disse Magueijo. No seu primeiro livro de divulgação científica, Mais Rápido que a Luz, de 2003, e também traduzido para português pela Gradiva, Magueijo relata a sua saga e conflitos que teve até conseguir publicar o primeiro artigo científico sobre a teoria da velocidade variável da luz, que desenvolveu para tentar explicar certos enigmas do início do Universo.
Conferências inspiradas no caso britânico
Mas estas primeiras Conferências de Natal, que o Pavilhão do Conhecimento organiza em parceria com o Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de partículas (LIP), terão ainda a intervenção de Sergio Bertolucci. Este investigador do Laboratório Europeu de Física de Partículas (CERN) falará da busca do bosão de Higgs, a partícula elementar que confere massa às outras, e cuja existência foi proposta há quase meio século. Veio a ser conhecida com o apelido do britânico Peter Higgs, um dos físicos que a propuseram em 1964. No modelo criado pelos cientistas para descrever as partículas e as forças entre elas – o chamado modelo-padrão –, o bosão de Higgs é assim a partícula das partículas. Ela, ou algo como ela, explica o Universo como o conhecemos, nós próprios, é claro, incluídos.
Este ano, finalmente, em grande festa, o CERN anunciou a descoberta de um bosão de Higgs, detectado nas colisões de partículas postas a circular quase à velocidade da luz no grande acelerador LHC: se é o proposto ou outro diferente está ainda em aberto, embora ultimamente os cientistas pensem ter detectado o bosão convencional.
As Conferências de Natal deverão manter-se todos os anos, organizadas em conjunto com uma instituição científica. A ideia é inspirada nas Christmas Lectures da Royal Institution de Londres, criadas em 1825 por Michael Faraday, que deu contributos importantes sobre a electricidade e o magnetismo, e só interrompidas durante a Segunda Guerra Mundial. “Esperamos que, à semelhança do caso britânico, estas conferências proporcionem um momento de convívio informal entre a comunidade científica e a população geral, incluindo os mais novos”, refere um comunicado do pavilhão.
Notícia corrigida às 15h35: a palestra no pavilhão foi quinta-feira; o erro deveu-se a um primeiro comunicado com essa data, rectificada posteriormente.

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