Uma equipa de investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) identificou uma enzima poderá servir como marcador nos casos de fertilização in vitro (FIV). A Dismútase do Superóxido que se encontra nas células que revestem os ovócitos terá um efeito protector e estará associada às situações de gravidez bem sucedidas. Os especialistas do Laboratório de Biologia Celular e Molecular da FMUP, em cooperação com o departamento de Ginecologia e Obstetrícia, estudaram as células de 60 mulheres submetidas a tratamentos de FIV.
Segundo explicou Henrique Almeida, a enzima identificada é geralmente vítima da “limpeza” que é efectuada aos ovócitos no processo de fertilização, após a aspiração. No entanto, antes de ir para “o lixo” estas células rejeitadas poderão servir para alguma coisa. A pesquisa da FMUP mostrou que a actividade da enzima Dismútase do Superóxido é encontrada em mais alto grau nos casos de sucesso. “Cinco em 12 das gravidezes bem sucedidas tinham valores elevados e 20 entre 30 dos casos mal sucedidos tinham actividade reduzida”, esclarece o especialista, admitindo que existem muitos outros factores que influenciam o sucesso de uma FIV. Porém, quando hoje a escolha dos “melhores” ovócitos se faz através de um critério morfológico (o aspecto do núcleo, o contorno, etc.), este tipo de pistas pode ajudar a melhorar a taxa de sucesso da FIV (cerca de 30 por cento). O especialista refere ainda que podem existir outros biomarcadores nestas células ou mesmo no líquido folicular. A investigação vai continuar. Para já, o resultados desta etapa será publicado na revista "Molecular Human Reproduction".

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