A extracção de gás natural através da destruição de rochas profundas tem poucas probabilidades de causar sismos ou contaminar a água, mas deve ser fortemente monitorizada, diz um relatório divulgado nesta sexta-feira por cientistas e engenheiros britânicos.
A pedido do consultor científico do Governo, a Royal Society – a principal associação científica do Reino Unido – e a Academia Real de Engenharia avaliaram os riscos da exploração do gás xistoso – uma forma não convencional de gás existente em formações rochosas profundas – na sequência de pequenos sismos que ocorreram em Blackpool, no ano passado.
A extracção deste gás é feita através de uma técnica conhecida como “fracking”, que consiste em quebrar a rocha através da injecção de água, areia e químicos sob alta pressão. Largamente utilizada nos Estados Unidos, a técnica tem levantado preocupações quanto à contaminação de aquíferos subterrâneos, desestabilização dos solos e libertação de gases com efeito de estufa.
O relatório agora divulgado conclui, no entanto, que a contaminação da água no Reino Unido é improvável, “desde que a extracção de gás xistoso ocorra a profundidades de centenas de metros ou quilómetros”.
Também os riscos de terramotos são “baixos”, inferiores à sismicidade natural do país ou àquela que é induzida pela exploração de carvão.
O relatório refere que o principal problema potencial da extracção de gás xistoso está na integridade dos poços em si. Ou seja, uma ruptura num poço de exploração pode causar muito mais danos do que a técnica de “fracking” em si.
As duas organizações sugerem uma “monitorização robusta” das operações e a realização de avaliações de impacte ambiental para todos os projectos.
A exploração de gás xistoso tem avançado sobretudo nos Estados Unidos, onde esta forma não convencional de combustível fóssil já representa um quarto do mercado de gás natural do país.

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