Clima: catástrofes naturais desalojaram 20 milhões de pessoas no ano passado

O aquecimento global está a aumentar a frequência e intensidade das tempestades Murad Sezer/Reuters

Inundações, tempestades, secas e outras catástrofes naturais ligadas às alterações climáticas obrigaram 20 milhões de pessoas a abandonar as suas casas ao longo do ano passado. Este número é quase quatro vezes superior ao número dos desalojados por conflitos, informou ontem um relatório da ONU.

O relatório tentou quantificar, pela primeira vez, o número de pessoas forçadas a abandonar as suas casas por causa das alterações climáticas.

O aquecimento global está a aumentar a frequência e intensidade das tempestades e a alterar os padrões climatéricos. Por isso, os desastres são agora "um condutor extremamente significativo do desalojamento de pessoas em todo o mundo", indica o estudo.

Segundo o relatório, um total de 36 milhões de pessoas saíram das suas casas por desastres naturais em 2008. O terramoto de Sichuan, na China, representou 15 milhões de desalojados. Mas desastres ligados ao clima desalojaram 90 por cento dos restantes. Mais de cinco milhões de pessoas ficaram sem casa pelas inundações na Índia, num cenário de alterações ao ciclo habitual de monções naquele país. Nas Filipinas, quase dois milhões de pessoas foram forçadas a sair de casa devido às severas tempestades. China e Birmânia também registaram deslocações a larga escala, devido ao mau tempo. A Ásia representou mais de 90 por cento dos desalojados no ano passado, devido a catástrofes naturais.

O relatório foi elaborado pelos organismos das Nações Unidas que acompanham os desalojados por conflitos e os assuntos humanitários.

Determinar qual o papel das alterações climáticas num desastre natural será sempre controverso. Ainda assim, "um aumento do número de pessoas temporariamente desalojadas será uma consequência inevitável de fenómenos climatéricos mais frequentes e intensos", escreve o relatório.

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