Centro de recuperação de animais liberta quatro corujas-das-torres no Algarve

Duas das corujas que vão ser libertadas hoje RIAS

Quatro corujas-das-torres com três meses de idade serão devolvidas hoje à natureza na Reserva Natural de Castro Marim, depois de terem passado vários dias em recuperação num centro que trata de animais selvagens.

A primeira coruja-das-torres (Tyto alba) chegou a 17 de Julho ao RIAS – Centro de Recuperação e Investigação de Animais Selvagens da Ria Formosa, em Olhão. “Esta ave caiu do ninho”, na freguesia de Altura, e foi recolhida pelo Sepna (Serviço de Protecção da Natureza e Ambiente) da GNR de Tavira, disse hoje ao PÚBLICO Fábia Azevedo, coordenadora do RIAS.

As outras três aves, todas da mesma ninhada, chegaram um dia depois, também pela mão do Sepna. “Alguém lhes destruiu o ninho, na freguesia de Vila Nova de Cacela, e ficaram desalojadas. Os pais deixaram de as alimentar”, acrescentou a responsável.

O centro de recuperação – onde hoje vivem 120 animais, a maioria aves - alimentou as quatro aves e, quando as suas penas ficaram formadas, ensinou-as a caçar sozinhas. “Só as podemos devolver à natureza quando conseguem caçar sozinhas”, salientou.

Esta tarde, às 19h, as aves serão libertadas junto ao Centro de Interpretação da Reserva do Sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António. “Não serão devolvidas ao mesmo local onde nasceram porque lá têm menos condições de sobrevivência; é um local no meio de povoações que agora estão cheias de turistas”, explicou Fábia Azevedo. “Aqui na reserva têm um bom habitat, com muito alimento e outras corujas.”

As aves serão libertadas no âmbito do programa de actividades da 1ª Feira de Produtos Tradicionais e de Artesanato da reserva natural. Antes da sua devolução, os técnicos do centro vão mostrá-las à população. “São momentos únicos onde as pessoas conseguem ver estes animais na mão, muito de perto. Vamos mostrar a coloração das penas e explicar onde e como vivem”, acrescentou.

A coruja-das-torres é uma espécie comum em todo o país, especialmente nas zonas rurais, e pode nidificar em edifícios antigos e abandonados. Esta espécie pode criar duas ninhadas por ano. As posturas contêm geralmente quatro a sete ovos e a incubação dura 30 dias; aos 50 a 55 dias de idade, as aves já podem voar.

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