Superfície dos pinguins-imperador fica mais fria do que a noite antárctica

A excepcional regulação térmica destas aves, que passam vários meses a chocar os ovos, todas juntinhas, aos milhares no meio de nenhures, e conseguem sobreviver ao frio profundo da Antárctida, acaba de revelar mais um segredo.

Fotografia em infra-vermelhos de um pinguin-imperador que mostra o seu "mapa" térmico de superfície Universidade de Estrasburgo

Em Junho de 2008, uma equipa de cientistas tirou fotografias “térmicas” (em infravermelhos) a uma colónia de pinguins-imperador no seu habitat de Inverno, no meio das imensas planícies geladas de Terra de Adélia, na Antárctida Oriental. Os seus inesperados resultados foram publicados há dias na revista Biology Letters.

Quem viu o filme A marcha do imperador, que acompanha uma colónia de pinguins-imperador a chocar os seus ovos numa desolada e gélida planície da Antárctida, a centenas de quilómetros da costa, lembra-se de certeza. O filme mostra a inacreditável capacidade de resistência ao frio profundo destas grandes aves, que passam vários meses num dos ambientes mais hostis do planeta, onde nem sequer os vírus conseguem sobreviver.

A partir das fotografias, Dominic McCafferty, da Universidade de Glasgow (Reino Unido), juntamente com colegas britânicos e franceses (da Universidade de Estrasburgo), desenvolveu um modelo que descreve como o corpo do pinguim perde calor ao contacto do ar gelado. E os cientistas chegaram assim a uma surpreendente conclusão: quando um pinguim-imperador se afasta um pouco do grupo, a temperatura de superfície do espesso manto de penas e de gordura que cobre quase todo o seu corpo fica, em média, quatro a seis graus Celsius abaixo da temperatura ambiente. Temperatura essa que, na noite invernal do continente branco, pode atingir os 40 graus negativos.

Basicamente, a única parte exposta do seu corpo que permanece a temperaturas acima de zero são os olhos… E, no entanto, estes pinguins conseguem manter uma temperatura corporal interna de 39 graus! “A nossa primeira reacção face aos resultados foi de surpresa”, diz McCafferty, citado pela revista Wired.

Os cientistas querem agora estudar, pela mesma via, como é que o facto de ficarem todos tão juntinhos permite a estas aves conservar o calor do seu corpo durante meses, sem sequer se poderem alimentar: “Os pinguins-imperador nunca poderiam aquecer-se durante todo o Inverno antárctico se não se amontoassem de forma a se protegerem [da intempérie] e a partilharem o seu calor corporal”, salienta McCafferty.
 
 
 

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