Videojogos aumentam a tolerância à violência, diz especialista

04.04.2011 - 19:37 Por João Pedro Pereira
O contacto com videojogos violentos torna as pessoas mais insensíveis a situações de violência. Mas isso não significa que todas se tornem agressivas, argumenta o investigador americano Bruce D. Bartholow, que deu esta segunda-feira uma conferência onde abordou um tema sempre controverso.
A exposição a imagens violentas não é um fenómeno novo, lembrou Bartholow, durante uma conferência no ISCTE, em Lisboa. O investigador notou que já na antiguidade romana havia espectáculos violentos, mas defendeu que o actual consumo de informação e entretenimento faz com que as pessoas estejam mais frequentemente expostas a este tipo de estímulos.
Em conversa com o PÚBLICO, o académico argumentou que a diferença entre a violência da televisão e dos filmes e a dos videojogos está no facto de estes serem uma experiência interactiva, por oposição à experiência passiva de se ver um filme ou um telejornal. “Há estudos que mostram que crianças que jogam ficam mais agressivas do que as que simplesmente vêem jogar”.
Bartholow conduziu várias experiências, com jovens adultos (em idade universitária) e com jovens no final da adolescência, e concluiu que aqueles que interagem com jogos violentos tendem a ser mais tolerantes com violência e a ter um comportamento mais agressivo.
No ambiente das experiências de laboratório, isto significa estarem mais predispostos a deixar que outra pessoa seja incomodada com ruídos desagradáveis ou ingira comida muito picante (“Ainda há quem faça experiências com choques eléctricos”, lembra). Na vida real, agressividade também não é necessariamente um sinónimo de violência física. "A definição psicológica de agressão é 'ter a intenção de causar mal a outra pessoa', seja isso sob a forma de dar um murro na cara de alguém, ou fazer um comentário rude ou ser mais agressivo a conduzir. Há vários níveis. Claro que as pessoas estão mais preocupadas com a violência física."
O efeito dos videojogos, porém, varia consoante vários factores. A começar pela idade. Embora ressalve haver pouca investigação na área, Bartholow diz ser mais provável que a exposição a um videojogo violento tenha mais efeito na adolescência (quando o cérebro ainda está em formação) do que no período adulto.
Para além disto, há factores individuais a ter em conta, como a educação de cada pessoa e os traços de personalidade. “Há pessoas que não são afectadas pelos videojogos. Estão protegidas por uma série de razões”.
Os eventuais problemas parecem surgir nos “níveis elevados de exposição” – ou seja, nos casos de quem joga pelo menos diariamente. Mas o investigador sublinha que não tem uma receita para o consumo de videojogos. “Acho que as pessoas têm o direito de escolher aquilo a que se expõem. É como fumar. Um cigarro de vez em quando não faz muito mal. E também nem toda a gente que fuma vai ter cancro de pulmão”.

