Um em cada três europeus nunca utilizou a Internet e um em cada quatro nunca mexeu num computador. A conclusão é retirada de um estudo levado a cabo pela Comissão Europeia durante os últimos cinco anos. O mesmo estudo conclui, porém, que mais de metade dos cidadãos europeus converteram-se em utilizadores frequentes da Web (em 2004 eram apenas um terço) e que 70 por cento dos jovens com menos de 24 anos acede diariamente à Net.
Mais de uma em cada três pessoas que não acede à Internet admite que nunca sentiu necessidade de o fazer, ao passo que uma em cada quatro diz não ter dinheiro para o fazer.
As pessoas que menos frequentam a Web são os maiores de 65 anos e as pessoas em situação de desemprego, revela ainda o estudo.
Porém, em contra-ciclo, o relatório da UE revela que 56 por cento dos europeus converteram-se em utilizadores habituais da Internet durante o ano de 2008, um terço a mais do que os utilizadores registados em 2004. De entre estes, mais de 80 por cento utilizam uma ligação de alta velocidade, bastante mais do que o registado em 2004, quando apenas uma terça parte das pessoas dispunha desta “rapidez” online. A maioria conta hoje com uma velocidade de download superior aos 2 megabits por segundo (Mbps).
Países como a Estónia e a Letónia lideram o uso da Web 2.0 (a Internet da comunicação por excelência, dos blogues e das redes sociais), já que conta com as maiores percentagens de população ligada à Internet e que mais “uploads” de conteúdos fizeram, de entre os 25 países estudados (Portugal incluído).
Os jovens europeus lideram as taxas de acesso à Internet. Quase 70 por cento dos menores de 24 anos acedem à Web diariamente, acima da média geral da UE, que é de 43 por cento. Os jovens são, porém, o grupo mais relutante em pagar pelo download conteúdos, como músicas e vídeos. Mais de 30 por cento (33%) asseguram que não pagariam por nada disso.
“Estes jovens usam a Internet intensamente e também são consumidores exigentes”, indicou à BBC a comissária europeia da UE para a Sociedade da Informação e os Meios de Comunicação, Viviane Reding. “Para libertar o potencial económico destes nativos digitais, devemos fazer com que o acesso aos conteúdos digitais seja algo cómodo e justo”, disse.


