"Twittergate": quando a rede de "micro-blogging" fica em "macro-apuros"

16.07.2009 - 17:41 Por Susana Almeida Ribeiro
O site TechCrunch, que se dedica à publicação de notícias sobre tecnologia, está envolvido numa polémica que já ganhou o nome de “Twittergate”. Tudo começou quando um hacker entrou no Twitter e conseguiu sacar informação confidencial da empresa, tendo-a entregue ao TechCrunch, que ameaça publicar alguns dos mais de 300 documentos subtraídos à rede de micro-blogging.
“A maioria dos documentos poderá não ter nenhum interesse. Mas uns quantos têm tanto valor noticioso que acreditamos que é apropriado publicá-los”, escreveu Michael Arrington, fundador e co-editor do TechCrunch no site.
Por seu lado, o blogue oficial do Twitter, explica o acontecimento num post que tem como título “Twitter, ainda mais aberto do que queríamos”. As coisas ter-se-ão passado da seguinte maneira: a conta de e-mail de um membro da empresa foi devassada por um hacker conhecido por “Croll” que, através dessa conta de mail, teve acesso a aplicações da Google – como o Google Documents e o Google Calendar – onde estavam armazenadas informações privadas da companhia. “Este ataque não tem nada a ver com a vulnerabilidade das aplicações da Google, que continuamos a usar. Isto tem a ver com o facto de o Twitter estar no centro das atenções, a ponto de as pessoas que aqui trabalham se transformarem em alvos”, pode ler-se no post.
A empresa também faz saber que os utilizadores do serviço não têm que se preocupar porque o “roubo” dos documentos privados não compromete a segurança dos detentores de um perfil daquela rede social, excepto no caso de um único utilizador, que já foi avisado e aconselhado a mudar de password. Para a empresa, esta acção teve um objectivo muito claro: “Isto não foi um ataque ao serviço do Twitter; foi um ataque pessoal seguido do roubo de documentos privados da empresa”.
Globalmente, o Twitter considera que, se os documentos forem revelados na totalidade, apesar de poderem comprometer algumas parcerias estratégicas, a única coisa que poderão significar é algum embaraço para a empresa, por serem rascunhos de ideias pouco desenvolvidas mas que, em última análise, não irão surpreender ninguém.
Na posse destes documentos, a TechCrunch já defendeu o seu direito a tornar público o material, afirmando que irão actuar de acordo com as regras éticas da profissão, na medida em que irão reter algum material.
Até agora o site só publicou um documento: uma discussão sobre o projecto de um “reality show”. Também publicou umas previsões financeiras datadas de Fevereiro de 2009, que estiveram online apenas algumas horas, após centenas de leitores terem comentado o seu desacordo com a publicação desse tipo de informações e condenando a prática jornalística do TechCrunch.
O Twitter indica ainda no seu blogue oficial estar em conversações com os seus advogados, a fim de tentarem perceber quais são as consequências legais deste roubo para a própria empresa, para o hacker e para quem aceite, partilhe e publique os documentos roubados.

