Jack Dorsey voltou ao trabalho de campo no Twitter, como chefe do departamento de desenvolvimento do produto, e as afinações na estratégia da rede de microblogging começam a aparecer. A mais ambiciosa parece ser a compra do Tweetdeck, uma plataforma de gestão de contas, por 50 milhões de dólares (35 milhões de euros).
A firmar-se, o negócio surge no seguimento de sete outras aquisições levadas a cabo pelo Twitter, desde o seu lançamento, há mais de quatro anos. No entanto, o diário norte-americano The Wall Street Journal, que dá a notícia citando fontes próximas do processo, desconhece o destino que a empresa pretende dar ao Tweetdeck.
Esta ferramenta permite organizar a torrente de mensagens de até 140 caracteres publicadas no Twitter, agrupando-as por temas e contornando a ordem cronológica imposta pelo site. Mais: o Tweetdeck integra ainda informações provindas de outras redes – Facebook, LinkedIn, Google Buzz, MySpace e Foursquare.
O que o Twitter quer fazer, já este ano, é melhorar a experiência dos utilizadores que chegam à rede, tornando-a menos confusa e mais intuitiva, de forma a que possam encontrar o que procuram mais rapidamente. Uma das possibilidades em cima da mesa é o destaque de tweets de pessoas e organizações famosas geograficamente próximas, informa o mesmo jornal.
Neste momento, a fonte de receitas publicitárias do Twitter são os tweets ou hashtags (que facilitam a pesquisa por temas) “patrocinados”. No ano passado, valeram 45 milhões de dólares (31,5 milhões de euros). A eMarketer aponta para um crescimento desse valor em 2011, para os 150 milhões (105 milhões de euros). O Tweetdeck já recebe parte das receitas, por incluir essas promoções na sua plataforma.
De resto, o Tweetdeck tem estado a desenvolver aplicações para iPhone (2009), iPad (2010) e Android (2011, ainda em fase beta), o que vai ao encontro da forma como muitos internautas usam o Twitter – através do telemóvel. E é esse o objectivo de Jack Dorsey, o primeiro director executivo do Twitter que tinha passado em 2008 a presidente da administração: aproximar a rede dos hábitos dos utilizadores.
O Twitter tem cerca de 200 milhões de contas registas e quer capitalizá-las (apesar de um número indefinido delas se encontrar inactivo). A empresa de São Francisco quer justificar os quatro mil milhões de dólares em que está avaliada. E está a aprender com o vizinho de maior sucesso – o Facebook. O The Wall Street Journal escreve que a equipa está a desenvolver uma tecnologia idêntica à EdgeRank, que destaca as mensagens de quem é mais próximo de cada utilizador, tal como na rede social de Mark Zuckerberg.


