Papel higiénico preto, rodovalho português em vez de lagosta, organizações sociais cotadas em bolsa e painéis solares nas cubatas africanas foram algumas das ideias “espalhadas” hoje na Casa da Música pelos oradores do TEDx Porto.
Luís Reis, gestor da Sonae e professor de marketing e estratégia, apontou o paradoxo da escolha entre papel de jornal ou papel higiénico preto como uma das oito tendências para o futuro do comércio a retalho.
Admitindo que qualquer das suas previsões pode vir a ser refutada dentro de “três meses ou três dias”, Luís Reis afirmou que os consumidores terão tendência a querer diferenciar-se pela escolha de extremos opostos e não de produtos massificados, como papel higiénico branco.
O gestor destacou também o impacto que a Internet das coisas terá no comércio, dado que será possível saber de forma quase automática o que há e o que falta numa despensa ou num guarda-fatos.
Para Luís Reis, o comércio a retalho no futuro será mais rápido, mais “engraçado”, mais “verde” e sustentável, mais transparente e com menos margem de erro para quem vende, atendendo ao “megafone potentíssimo” que os consumidores têm nas redes sociais.
O retalho será também mais saudável, pela preferência que os consumidores cada vez mais darão aos “medicalimentos”, os produtores alimentares que fazem bem à saúde e permitem viver mais anos.
A conferência de Luís Reis contrastou com as do norte-americano Peter Joseph (esta em videoconferência) e do inglês Mark Boyle, dois críticos do sistema monetário e da sociedade de consumo.
Mark Boyle, que vive há dois anos e meio sem dinheiro, causou gargalhadas ao contar que um dia ia limpar o rabo com papel de jornal e verificou que naquela página estava uma reportagem sobre si.
De t-shirt lisa, calças de fazenda e chinelos, Boyle apelou para que todos sejam altruístas e ajudem o Mundo a ser melhor, passando das palavras às acções.
Peter Joseph, autor dos filmes “Zeitgeist”, defendeu um sistema “bio-psico-social”, em alternativa ao sistema monetário, sublinhando que só assim será possível garantir a toda a sociedade a satisfação das suas necessidades básicas.
O brasileiro Celso Grecco, consultor em Responsabilidade Social, lembrou que a bolsa de valores portuguesa será a primeira do Mundo a ter organizações sociais a emitirem acções transacionáveis, cujo valor será reembolsado anos mais tarde, mas sem juros ou dividendos.
Guilherme Collares Pereira, da associação Sun Aid, revelou que deverão começar no final deste ano na Amazónia (Brasil) e em Angola as primeiras experiências de colocação de “kits solares” em aldeias sem eletricidade.
O presidente da Academia Internacional de Gastronomia, Bento dos Santos, afirmou que os melhores restaurante e cozinheiro do mundo dizem que o peixe português é o melhor, e defendeu que o rodovalho pescado em Portugal é melhor petisco do que a lagosta.
Johnson Semedo, um ex-presidiário que tem desenvolvido trabalho na recuperação de jovens delinquentes, chorou ao partilhar a sua “história completamente resolvida” de menino de rua que passou de anos na cadeia por se ter deixado levar pelo crime e pela droga, mas que soube “dar a volta”.


