Um aparelho de digitalização de grandes formatos está, a partir desta semana, disponível em Portugal, com uma capacidade de registo de mil documentos por hora, afirmou Luís Pereira, administrador da empresa que faculta o serviço, à Lusa.
O SkyView consegue digitalizar formatos superiores ao A1 - caso de posters, jornais, mapas e manuscritos com dimensões até 64 por 90 centímetros - bem como fotografar objectos a três dimensões. O aparelho foi criado pela empresa internacional Kirtas e disponibilizado no mercado nacional pela Meiostec, que estabeleceu, para o efeito, uma parceria com a empresa SGW.
Segundo Luís Pereira, “o operador da máquina terá apenas de eliminar as rugas do papel e evitar que algum canto fique dobrado”, contando para isso com o auxílio do próprio aparelho, “que tem um mecanismo de sucção que ajuda o documento a ficar completamente plano”.
O responsável da Meiostec destacou ainda à Lusa que, “enquanto os scanners planetários têm um sistema de achatamento que, para evitar o efeito de lombada, espalma o livro, o que é uma dor de alma para os bibliotecários, com o SkyView o achatamento é feito por vácuo”, sendo menos agressivo para os livros.
Com uma máquina digital incorporada - uma Canon EOS-5D Mark II com 21.1 megapixel - o SkyView “transmite uma vista aérea precisa e sem falhas”, assegura a Meiostec num comunicado onde se lê ainda que “os detalhes da imagem ficam altamente nítidos e preservados”, o que constitui uma mais-valia, pois, “quando se trata de manuscritos raros e antigos, as características do material assumem tanta importância como o documento”.
Também Luís Pereira assegurou que a qualidade do software incorporado no aparelho “permite melhorar a imagem e dar-lhe uma nitidez superior ao original, reavivando pormenores” e contrariando o envelhecimento dos documentos, “que com o tempo ganham alguma cor e perdem qualidade”.
Luís Pereira deu como exemplo o Museu da Marinha, que está a digitalizar as cartas marítimas com o SkyView.
“A Marinha tem cartas de navegação dos séculos XVI e XVII que praticamente não são manuseáveis, dado o tempo que têm. Foram digitalizadas e a sua reprodução melhorou a qualidade dos originais, tornando-os utilizáveis e manuseáveis sem correr o risco de destruição de documentos que são únicos”, afirmou.
A máquina tem capacidade para digitalizar até mil documentos individuais por hora, embora esta prestação apenas esteja assegurada em condições óptimas, podendo ser afectada pela qualidade ou o estado dos materiais.
De acordo com Luís Pereira, que em Maio disponibilizou no mercado português uma outra máquina de digitalização, o BookScan APT 2400, o SkyView vem complementar as funções do primeiro aparelho, que tem “limitações na digitalização de documentos e publicações de formatos não-standard, como certos álbuns com as aventuras de Tintin, próximos do A3, ou os livros de assento dos direitos de autor”, também muito grandes.
Em relação ao BookScan, o empresário afirmou ainda que algumas bibliotecas planeiam associar-se para comprar o equipamento, que terá, depois, “uma utilização comum às várias bibliotecas”.
Por decisão inicial da Meiostec, o BookScan e o SkyView não ficariam disponíveis para venda, tendo o seu serviço de ser requisitado mediante pagamento mas, perante estas hipóteses, “não fica excluída a possibilidade de comercializar alguns equipamentos”, concluiu Luís Pereira.
O BookScan custa, actualmente, cerca de 94 mil euros, enquanto o preço do SkyView ronda os 107 mil a 114 mil euros.
Quanto aos valores da requisição dos equipamentos para digitalizações - que podem ser realizadas nas instalações do requisitante ou da Meiostec - Luís Pereira afirmou que “depende de vários factores, da quantidade à qualidade dos acervos a digitalizar” e avançou uma situação hipotética com o BookScan.


