Representantes das indústrias culturais indignados com Mariano Gago

30.04.2010 - 21:25 Por João Pedro Pereira
O Mapinet (um grupo que agrega os principais representantes das indústrias culturais e dos artistas em Portugal) considerou “inaceitável” a declaração de Mariano Gago, em que o ministro afirma que "a pirataria tem sido desde sempre uma fonte de progresso e uma fonte de globalização".
Depois de os representantes dos videoclubes terem decidido processar o Estado, o Mapinet divulgou uma nota em que lembrou que “por muito menos, houve em Portugal quem terminasse o seu mandato no Governo” e na qual “exige a clarificação da posição oficial do Governo português acerca da usurpação [via Internet] de obras protegidas”.
"Todos os intervenientes nas indústrias criativas e os Portugueses em geral têm o direito de conhecer qual é, afinal, a posição do seu Governo sobre esta matéria."
A polémica frase de Mariano Gago terminou uma das suas intervenções no Fórum para a Governação da Internet, promovido pelo Conselho Europeu Gago — que falava em inglês — começou a intervenção por sublinhar que, para as questões da Internet, “a lei civil está lá em muitos aspectos e deve estar lá para tudo”.
O ministro falou então das vantagens para um produtor de conteúdos em poder facilmente distribuir a respectiva criação: “O facto de alguém estar a produzir música e essa música ser distribuída por todo o mundo de graça aumenta o valor do produto e [o produtor] consegue valor de uma forma diferente”.
As declarações chegaram à imprensa e geraram polémica. O ministério emitiu um comunicado a desmentir que Mariano Gago apoie a pirataria e condenando “naturalmente toda a pirataria, que retira aos produtores e autores a capacidade de prosseguirem a sua capacidade de criação”.
O desmentido afirmava que se tratava “possivelmente de uma incorrecta interpretação de um debate complexo”. Um vídeo da conferência em que o ministro português participou está disponível online.

