Existe uma minoria de norte-americanos que está a descobrir como viver sem televisão em casa. A percentagem de lares com o aparelho caiu pela primeira vez em duas décadas, de 98,9 para 96,7 por cento. As novas tecnologias estão a ocupar o lugar da velha televisão nas casas dos mais jovens, mas há também quem não tenha dinheiro para adaptar os antigos equipamentos às novas emissões em formato digital.
Os sinais analógicos da televisão terrestre foram desligados em Junho de 2009 nos Estados Unidos. Nessa data, existiam três milhões de casas sem descodificadores ou televisões com sintonizadores digitais. A Nielsen, uma multi-nacional com sede em Nova Iorque que estuda os comportamentos relacionados com os media, divulgou um estudo, citado pelo The New York Times, em que sustenta que parte destas casas não voltaram a ter acesso à televisão, sobretudo devido a baixos rendimentos dos seus ocupantes.
A quebra anterior na tendência hegemónica das televisões caseiras aconteceu em 1992, e “também se seguiu a uma recessão prolongada”, nota a empresa. A recuperação fez-se depois, no “auge económico de meados dos anos 1990”. Mas o actual cenário de crise preocupa os especialistas da Nielsen, que lançam o aviso: se este declínio percentual, embora pouco comum, não for invertido, as consequências para a indústria de produção, distribuição e emissão podem ser profundas.
Pat McDonough, vice-presidente da Nielsen para a compreensão e a análise do mercado, sublinha que as pessoas que actualmente não têm televisão em casa fazem parte da “base do espectro económico – se a televisão avaria, se a antena voa do telhado, têm que pensar muito bem sobre o que fazer”. A responsável, citada pelo diário norte-americano, adianta que nestas casas também não há acesso à Internet.
Há uma segunda razão, de ordem técnica, que afecta mais as zonas rurais do país, aonde o sinal da televisão digital não chega com a mesma eficiência que aos centros urbanos. As famílias financeiramente mais capazes conseguem contornar o problema, adquirindo antenas parabólicas, mas as que não o podem fazer ficam sem emissão. Contudo, estes continuam a ser potenciais espectadores. O que está intrigar a Nielsen é uma possível mudança de paradigma, às mãos dos mais jovens.
O relatório da Nielsen dá conta de uma mudança nos hábitos de consumo nos jovens adultos que deveriam estar a entrar agora nas contas do mercado televisivo. São os mesmos que cresceram nestas últimas duas décadas à frente de computadores, aparelhos que estão agora a substituir as televisões nas suas novas casas. O significado deste comportamento ainda é uma incógnita.
“Embora os dados da Nielsen mostrem que os consumidores estão a ver mais conteúdos vídeo em todas as plataformas – mais do que a substituir um medium por outro – um pequeno subconjunto de jovens, consumidores urbanos, parecem estar sem assinaturas de televisão, por enquanto. Os efeitos a longo prazo ainda são incertos, assim como se esta é uma questão económica que acabará com essas pessoas a entrarem no mercado assim que tiverem meios, ou se é o início de uma grande mudança para visualização de conteúdos online”, lê-se no relatório.


