Pequim acabou por ceder. A poucas horas de entrar em vigor a medida conhecida por Green Dam (Barragem Verde) – que iria obrigar os fabricantes a inserir nos computadores vendidos na China um filtro de conteúdos - as autoridades recuaram. Mas prometem voltar à carga.
Este recuo foi anunciado hoje ao final do dia (hora chinesa) pela agência noticiosa Xinhua, citando o ministro da Indústria e Informação Tecnológica, ao noticiar que este tinha ordenado o “adiamento da instalação compulsiva do polémico software de filtragem Green Dam-Youth Escort em novos computadores”, adianta a Reuters.
O plano – que as autoridades afirmavam servir para combater a entrada de pornografia via Internet no país, onde está proibida – foi anunciado no início do mês, tendo desde logo sido alvo de críticas da comunidade internacional, particularmente dos Estados Unidos, e sobretudo de bloggers e activistas chineses, bem como de grupos industriais, que denunciaram o facto de a medida ser politicamente intrusiva, tecnicamente ineficaz e comercialmente injusta.
Mas o anúncio foi um adiamento, e não um cancelamento, deixando em aberto a possibilidade de este esquema poder voltar. “O ministro vai continuar a pedir opiniões para aperfeiçoar este plano de pré-instalação”, indicou a Xinhua. Não ficou assente, porém, nenhuma data para a reactivação do plano, facto que os críticos da medida encaram de forma positiva.
Wang Junxiu, um empresário ligado ao negócio da Internet, indicou a partir de Pequim, citado pela Reuters, que sempre foi contra o plano e contra qualquer espécie de censura prévia, estimando que esta medida governamental parecia ter sido mal planeada e condenada ao fracasso.
“Os líderes aparentemente decidiram que isto significaria demasiada controvérsia e demasiados problemas e decidiram fazer uma pausa”, avaliou.
Ontem mesmo, a Câmara Europeia de Comércio em Pequim tinha pedido às autoridades que reconsiderassem a medida, afirmando que isso colocaria “importantes questões no que toca à segurança, privacidade e transparência do sistema, livre circulação de informação e escolha dos utilizadores”. Na semana passada os Estados Unidos também tinham afirmado que a medida era “draconiana”.


