O Facebook está banido da China, mas um executivo da empresa disse ao Wall Street Journal que o site poderá vir a “bloquear algum conteúdo em alguns países”, o que ajudaria a rede social a chegar ao mercado chinês.
“Ocasionalmente, somos postos em posições desconfortáveis porque estamos agora a permitir muita, talvez, liberdade de expressão, em países que nunca a experimentaram antes”, disse David Conner, um inexperiente executivo do Facebook (tem 25 anos, idade frequente na cúpula da empresa) que trabalha como agente de lobby em Washington (nos EUA, é frequente as empresas gastarem muito dinheiro em lobby, mas o Facebook até é poupado, comparado com grandes tecnológicas: segundo dados apurados pelo Wall Street Journal, o Facebook gastou no ano passado 240 mil euros, enquanto o Google gastou 3,6 milhões e a Microsoft, 4,7 milhões).
A empresa não confirmou as declarações de Conner. “Neste momento, estamos a estudar a China, mas ainda não tomámos nenhuma decisão sobre se, ou como, vamos fazer a aproximação”, declarou, também citada pelo Wall Street Journal, a directora do Facebook para a comunicação internacional.
Nos últimos tempos, tornaram-se evidentes as ambições do Facebook de entrar no mercado chinês. A China é o país com o maior número de cibernautas do mundo, mas é também dos que tem uma das mais fortes políticas de cibercensura e o que tem o mais sofisticado sistema de controlo da informação que circula na Internet. O Facebook e o Twitter são ambos proibidos no território.
O fundador da rede social, Mark Zuckerberg, anunciou recentemente estar a aprender chinês. “Estou a tentar perceber a língua, a cultura, o estado de espírito. É uma parte tão importante do mundo. Como é possível ligar o mundo inteiro se deixamos de fora mil milhões de pessoas?”, questionou Zuckerberg, durante uma conferência numa universidade americana.
A imprensa chegou a noticiar, com base num comunicado publicado online e que entretanto foi retirado, que o Facebook estaria a tentar uma parceria com o Baidu, o motor de busca chinês que é líder de mercado naquela região. Mas o negócio não terá ido avante.
No ano passado, o Google resolveu deixar de prestar serviços para os cibernautas na China, depois de acusar Pequim de ter violado contas de utilizadores do Gmail. A empresa passou a direccionar os cibernautas para um motor de busca em Hong Kong, que tem regras mais flexíveis.


