Norte-americana descreve o seu aborto em directo no Twitter

25.02.2010 - 12:23 Por Susana Almeida Ribeiro
A norte-americana Angie Jackson, mãe de uma criança com necessidades especiais, descobriu há quatro semanas que estava grávida. O seu DIU (Dispositivo Intra-Uterino) falhou. Perante os factos, Jackson decidiu abortar. Nada de novo, se esta blogger não resolvesse contar em directo, através do Twitter, as suas alterações físicas e emocionais depois de tomar o medicamento que lhe expulsou do útero o feto não desejado, fazendo dela um alvo em movimento para os activistas pró-vida.
Angie Jackson é a primeira mulher a contar em directo a sua experiência, através da rede de microblogging (#livetweetingabortion). Paralelamente, a norte-americana também tem deixado no seu blogue (http://angietheantitheist.blogspot.com/) e no YouTube alguns vídeos em que narra a sua declaração de intenções e as experiências que está a viver depois de ter começado a tomar a pílula abortiva RU-486 (não confundir com a comum pílula do dia seguinte).
Na passada quinta-feira, Jackson visitou uma clínica de planeamento familiar onde um médico lhe deu, na quarta semana de gravidez, a sua primeira dose da pílula abortiva RU-486. Depois dessa dose teve que tomar mais quatro, engolindo duas e deixando que as outras duas se dissolvessem na boca, na passada sexta-feira e no sábado.
Angie explica que a sua decisão se ficou a dever a restrições orçamentais, ao facto de não querer ficar novamente grávida tendo um filho que requer atenções especiais e por já ter decidido, após o seu primeiro parto, que o seu primeiro filho seria, também, o seu último.
“Não estou a fazer isto para ter atenção. Isto não é uma manobra publicitária. Estou a fazer isto para desmistificar o aborto”, diz Angie Jackson num vídeo colocado no YouTube (http://www.youtube.com/watch?v=59Ud3g2ymOM&feature=player_embedded). “Estou a fazer isto para que outras mulheres saibam que isto não é tão aterrador quanto eu pensava. Simplesmente não é assim tão mau”, relata a norte-americana.
Paralelamente, Angie narra, na sua conta de Twitter, que obviamente a coisa não é como ir dar um passeio ao parque, queixando-se de espasmos, dores e náuseas, mas a sua intenção fica clara: dar conta às restantes mulheres que o processo não é tão assustador como normalmente é descrito.
Esta forma frontal de assumir a sua decisão colocou a norte-americana na mira dos activistas pró-vida, que têm criticado a sua decisão quer na caixa de comentários do blogue e do vídeo do Youtube, quer através do Twitter. “Naturalmente que os seus tweets estão a atrair os defensores pró-vida como as abelhas são atraídas pelo mel, mas ela está a afastá-los retoricamente”, escreve a “Salon”.

