Têm sido raras nos últimos tempos as boas notícias para a Nokia, mas hoje foi um dia de excepção. A fabricante finlandesa ganhou uma guerra de patentes à Apple, pondo fim a um litígio legal que durava desde 2009.
A Apple concordou em pagar um montante inicial à Nokia e continuar a fazer pagamentos enquanto utilizar no iPhone as tecnologias que estavam em disputa.
Os valores envolvidos não foram revelados, mas são suficientes para a Nokia ter anunciado que o acordo terá “um impacto financeiro positivo” nos resultados do segundo trimestre deste ano, para o qual a empresa, em Maio, reviu em baixa as previsões de resultados.
Com este acordo, as duas empresas retiraram todas as queixas que tinham apresentado na justiça americana. A guerra tinha sido iniciada pela Nokia e implicava patentes que iam desde tecnologias de transmissão de sinal até questões relacionadas com o uso de ecrãs sensíveis ao toque. Como é habitual neste tipo de disputas, a Apple tinha contra-atacado, apresentando as suas próprias queixas por infracção de propriedade intelectual (a Apple, aliás, tem litígios semelhantes com outros fabricantes de telemóveis, incluindo a Samsung e a HTC).
“Estamos muito contentes por a Apple se ter juntado ao número crescente de entidades que têm licenças da Nokia”, afirmou, em comunicado, o presidente executivo da Nokia, Stephen Elop, que está há menos de um ano à frente da empresa.
Elop indiciou ainda que o licenciamento de tecnologias patenteadas pode vir a ser um negócio a explorar. “Este acordo demonstra a liderança do portefólio de patentes da Nokia e permite-nos concentrarmo-nos noutras oportunidades de licenciamento para o mercado das comunicações móveis”.
Os muitos fabricantes que adoptaram o sistema operativo Android (disponibilizado gratuitamente pelo Google) são um alvo possível, dado que esta plataforma é em muitos aspectos semelhante à do iPhone. Já o ano passado, numa entrevista ao Wall Street Journal, o presidente executivo da Microsoft (que tem um sistema concorrente, o Windows Phone 7), tinha argumentado que o Android não é necessariamente gratuito, dado que implicaria o pagamento de patentes.
Ontem, a empresa de análise de mercado Nomura previu que a Samsung deverá ultrapassar a Nokia e tornar-se líder do segmento de smartphones ainda este trimestre. No próximo, será a vez da Apple ultrapassar a finlandesa e ficar com o segundo lugar.
A Nokia está numa situação que o próprio Stephen Elop descreveu, numa carta aos funcionários, em Fevereiro, como uma “plataforma em chamas” no meio do oceano. Por um lado, tem vindo a perder importância no sector dos smartphones. Por outro, os fabricantes asiáticos, com telemóveis de baixa gama muito baratos, estão a erodir a presença da Nokia nos países em desenvolvimento.
Com Elop aos comandos, a empresa optou este ano por uma parceria com a Microsoft e adoptou o sistema Windows Phone 7 como plataforma para smartphones. O primeiro telemóvel da marca com este sistema deverá estar pronto no final do ano.
Notícia substituída às 16h52


