Muito cuidado com o que se diz online, alertam especialistas 
10.08.2009 - 14:47 Por Susana Almeida Ribeiro
As pessoas que procuram trabalho ou que anseiam por uma promoção deverão ter cuidados extra na hora de colocarem online aquilo que lhes vai na alma. O alerta foi dado por dois especialistas americanos em relações públicas e recursos humanos, que dizem que pode ter muita piada contar através do Facebook as consequências de uma bebedeira, mas os potenciais patrões poderão já não achar o mesmo.
Twitter, blogues, YouTube, Facebook, MySpace… hoje em dia as pessoas deixam atrás de si um rasto de entradas online. Nelas, os utilizadores vão partilhando pequenas histórias das suas vidas quotidianas. Uma ida ao dentista, uma saída em grupo, convivência com animais domésticos... tudo isto pode dar bom material para entreter amigos e conhecidos, mas nem toda a gente pode querer saber se acabou ou não com a sua namorada, se tem problemas de incontinência, se costuma embebedar-se ou se anda a tomar antidepressivos. Qualquer pessoa que lhe possa vir a dar emprego, terá isto em atenção. E chegada a hora de uma contratação, tudo aquilo que alguém tiver dito online será tido em conta. Tudo. Nestes casos – como em muitos outros – “menos pode ser mais”.
“Com os media sociais, as pessoas podem ser insípidas, aborrecidas e chatas com alarmante frequência”, alertou recentemente em comunicado aos seus clientes Patricia Vaccarino, proprietária de uma empresa de relações públicas de Seattle. Citada pela Reuters, Vaccarino disse que muitos dos seus amigos já colocaram no Facebook frases muito detalhadas sobre “colonoscopias, idas ao dentista, cães mortos, flatulência, acne, divórcios, doenças mentais e problemas com a bebida”. Se este tipo de informações pode até embaraçar amigos, imagine-se o que poderá fazer junto de potenciais chefes, alerta a relações públicas.
Por seu lado, Kurt Weyerhauser, que trabalha num departamento de recursos humanos de uma empresa em Los Angeles, indicou à Reuters que já encontrou, por exemplo, candidatos que colocaram online fotografias deles próprios a fumarem charros e a contarem piadas racistas. Este tipo de coisas – diz Weyerhauser – podem ser decisivas na altura do recrutamento.
Mesmo “posts” aparentemente mais inócuos poderão acabar por prejudicar os candidatos. Weyerhauser indicou o caso de uma trabalhadora que escrevia muito acerca da sua vida atarefada criando quatro filhos, queixando-se constantemente do quão cansada andava. Este facto poderá prejudicá-la na hora de a empresa escolher um trabalhador para uma promoção, indica o especialista, argumentando que os seus chefes poderão querer escolher um funcionário com mais energia e tempo livre.
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