Cibercriminosos estão a ganhar milhares de euros por ano ao conseguirem persuadir utilizadores a fazerem download de falsos antivírus. No processo, os criminosos passam a ter acesso aos dados de milhares de cartões de crédito e, partir desse momento, as suas contas ficam expostas.
A Symantec, multinacional americana que comercializa antivírus, indicou que mais de 40 milhões de pessoas foram vítimas, em todo o mundo, de um fenómeno conhecido por “scareware” (mistura de scare - medo/ameaça - com software) no último ano.
Apesar de o download do software ser normalmente inócuo, é aquilo que se passa a seguir que é preocupante: depois de clicarem nos anúncios pop-up, que têm uma aparência legítima, os utilizadores são direccionados para outras páginas onde se pode avisa que os seus computadores foram infectados e que, por quantias que rondam os 65 euros, se poderão ver livres de todos os vírus.
Os utilizadores que caem neste esquema e decidem comprar os antivírus publicitados na página criada pelos cibercriminosos, estarão a fornecer-lhes os dados dos seus cartões de crédito e, a partir desse momento, as suas contas ficam comprometidas.
A Symantec identificou 250 versões de scareware e calcula que há criminosos a ganhar mais de 820 mil euros todos os anos.
Con Mallon, da empresa californiana, declarou à BBC que estes esquemas podem ter um impacto duplo nas vítimas: “Obviamente, estão a perder, logo à cabeça, o dinheiro para a compra dos falsos antivírus e depois, ao transaccionarem online com estes sujeitos, estão a oferecer-lhes detalhes de cartões de crédito e outras informações pessoais”.
Depois de expostos os dados bancários, os cibercriminosos retiram, eles próprios, mais dinheiro da conta dos utilizadores, ou vendem essa informação bancária a outros burlões.
Estas conclusões foram reveladas num relatório da Symantec que analisou dados recolhidos entre Julho de 2008 e Junho de 2009. Durante esse período, a empresa estima que cerca de 43 milhões de pessoas caíram nestes esquemas.
Como, normalmente, estas acções acabam por roubar poucas somas a cada um dos burlados, é difícil à polícia e a outras agências de segurança investigarem estes crimes. Os peritos recomendam, por isso, muita cautela e uso do bom senso, a par com o uso constante de software legal de combate aos vírus.


