A Microsoft anunciou hoje que irá apresentar queixa junto da Comissão Europeia contra o gigante tecnológico Google, no quadro de um inquérito em curso por abuso de posição dominante.
“A Microsoft depositou uma queixa formal junto da Comissão Europeia, no quadro de um inquérito em curso, para saber se o Google violou o direito europeu da concorrência”, indicou Brad Smith, vice-presidente da Microsoft num blogue da empresa.
“A Comissão toma nota da queixa e, tal como mandam os procedimentos, vai informar o Google e pedir-lhe explicações”, reagiu a porta-voz da Comissão para as questões da concorrência, Amelia Torres, adiantando não querer fornecer mais informações de momento.
A Microsoft enumera algumas condutas do Google que, a seu ver, justificam a apresentação da denúncia. Após adquirir o YouTube em 2006, o Google pôs em marcha mecanismos técnicos que restringem a capacidade de motores de busca da concorrência para acederem ao serviço e apresentarem resultados de busca sólidos. “O Bing [motor de busca da Microsoft] e outros motores de busca não podem competir em igualdade com o Google na hora de devolver resultados com links para vídeos do YouTube, o que desvia os internautas até ao seu motor”, explica a Microsoft.
Em 2010 - continua a Microsoft - o Google impediu que o sistema operativo Windows para telemóveis trabalhasse de forma plena com o YouTube. Ao passo que com o próprio sistema operativo da Google, o Android, isso era possível. A Apple deparou-se com o mesmo problema, indica o “El País”.
O Google tem uma quota de 95 por cento do mercado das buscas na Europa, segundo a Microsoft. Nos Estados Unidos esta quota é bastante inferior. O Bing serve aqui uma quarta parte dos internautas.
O Google está já a ser alvo de investigações na UE por causa de uma queixa feita por algumas empresas europeias que se queixam que o Google penaliza no seu motor de busca as empresas que poderão ser uma ameaça ou que concorrem directamente com serviços fornecidos pelo próprio Google.
Algumas das empresas que obrigaram à abertura deste inquérito estão ligadas à Microsoft, mas agora é a própria empresa de Gates que toma a iniciativa.
No seu blogue, a Microsoft recorda que esta não é a primeira vez que as autoridades travam um projecto do Google por esta empresa apresentar, nas suas iniciativas, aspectos que vulnerabilizam a liberdade de mercado e a concorrência. O último destes casos foi a decisão por parte de um juiz de Nova Iorque contra o projecto de digitalização de livros empreendido pelo gigante tecnológico americano.


