Investigadores da Universidade de Tóquio anunciaram a descoberta, no fundo do Oceano Pacífico, de uma vasta reserva de terras raras, minérios utilizados no fabrico de produtos alta tecnologia. A descoberta pode ameaçar o domínio da China no sector.
Os depósitos de minerais foram encontrados a uma profundidade entre os 3500 e os 6000 metros e abrangem uma superfície com onze milhões de quilómetros quadrados, segundo noticia a estação de televisão japonesa NHK, citando os resultados da investigação realizada pela equipa de Yasuhiro Kato, da Universidade de Tóquio.
Algumas zonas do Oceano Pacífico são muito ricas em terras-raras e poderiam constituir uma reserva inesperada destes metais necessários para o fabrico de produtos de alta tecnologia, como veículos eléctricos, discos rígidos de computadores e aparelhos de MP3.
Actualmente, a China é responsável pela produção de mais de 90 por cento de terras-raras, actividade que provoca críticas de ambientalistas devido aos danos ao ecossistema e às pessoas. Agora, o cenário pode estar prestes a mudar, com o trabalho dos geólogos japoneses que extraíram e analisaram mais de duas mil mostras de sedimentos marinhos no Oceano Pacífico.
Os resultados das pesquisas, divulgados ontem na revista britânica “Nature Geoscience”, mostram que o fundo do mar constitui uma considerável reserva de terras-raras e de ítrio. Além disso, as experiências realizadas pelos cientistas japoneses mostram que as terras raras do lodo submarino podem ser facilmente retiradas com o uso de ácido. "O lodo é simplesmente enxaguado com ácidos diluídos (ácido sulfúrico ou ácido clorídrico) durante uma a três horas a temperatura ambiente", explica à AFP Yasuhiro Kato, da Universidade de Tóquio. Segundo ele, a técnica não apresentaria nenhum risco para o ambiente, "já que os ácidos diluídos utilizados não são vertidos para o oceano".


