Para melhorar o acesso à informação

Irão: Google e Facebook lançam ferramentas em farsi

19.06.2009 - 09:22 Por Dulce Furtado

  • Votar 
  •  | 
  •  0 votos 
Apesar da proibição de manifestar, Mousavi voltou ontem a juntar apoiantes nas ruas Apesar da proibição de manifestar, Mousavi voltou ontem a juntar apoiantes nas ruas  (Reuters )
As empresas norte-americanas de tecnologias de informação Google Inc. e Facebook Inc. lançaram ferramentas em farsi, ambas justificando esta decisão com a crescente “actividade” na internet na sequência das muito contestadas eleições presidenciais iranianas.

Desde hoje tornou-se possível através do motor de busca Google traduzir de inglês para farsi (a língua mais falada no Irão) blogues, notícias de edições online de órgãos de media e todo o tipo de mensagens textuais, assim como fazer a passagem deste tipo de textos de farsi para o inglês. “Ainda não é perfeita”, notava a empresa em comunicado, referindo-se às capacidades da nova ferramenta para a qual, de resto, está anexado um link apelando aos utilizadores para que contribuam com melhores traduções, caso a tradução automática lhes pareça demasiado “pobre”.

A empresa estava já a desenvolver esta ferramenta, mas acelerou a sua concretização face “à actual situação” no Irão, precisou o chefe da equipa de cientistas da Google, Franz Och, que lidera os projectos da ferramenta de traduções, numa entrevista à agência Reuters. O farsi passa assim a ser a 42ª língua disponível na ferramenta de tradução automática do muito popular motor de busca.

O mesmo se passava na Facebook Inc. que, desde ontem à noite, passou a disponibilizar a sua rede social em farsi. A empresa fez saber, no seu blogue oficial, que mais de 400 pessoas que falam farsi submeteram já milhares de traduções individuais para a rede social.

O anúncio da Google foi feito esta manhã, sublinhando que se pretende com isto “melhorar o acesso à informação” no clima de turbulência e restrições aos media que se seguiu às eleições iranianas e ao inflamar de tensões nas manifestações que juntaram multidões em Teerão e outras cidade do país, em contestação dos resultados que deram um segundo mandato ao ultraconservador Mahmoud Ahmadinejad.

Com os jornalistas estrangeiros proibidos pelas autoridades iranianas de saírem dos seus escritórios para a cobertura das manifestações nas ruas, ferramentas tecnológicas de comunicação como o Facebook, o serviço de partilha de ficheiros áudio e vídeo YouTube e o serviço de microblogging Twitter tornaram-se instrumentos vitais para manter as pessoas informadas tanto dentro como fora do Irão. E a iniciativa agora tomada pela Facebook e pelo Google vem sublinhar esta crescente importância das tecnologias web de informação.


Estatísticas

  • 1327 leitores
  • 11 comentários

URL desta Notícia

http://publico.pt/1387528

Comentário + votado

Farsi ou farsa?

Será que ganharia tamanha repercussão eleições fraudulentas (ou não) se fosse, por exemplo, na ...

Hernanes

24.06.2009 23:26

X

Mais em Tecnologia (2 de 3 artigos)

Primeira multa dos EUA por downloads ilegais de músicas aplicada a mulher do Minesotta