Governo tem novo portal mais interactivo mas apagou anteriores executivos

09.01.2012 - 20:10 Por Maria Lopes
O Governo tem desde hoje um novo portal na internet (www.portugal.gov.pt) onde agrega todos os ministérios que até aqui tinham sites individuais, mas apagou boa parte dos conteúdos referentes aos executivos anteriores.
A ordem da austeridade chegou também à esfera digital do Governo: o gabinete do ministro Miguel Relvas delineou um novo portal do executivo que centraliza toda a informação referente aos onze ministérios e que permite poupar "centenas de milhares de euros por ano". O desenho do novo portal, adjudicado por ajuste directo depois de uma consulta ao mercado, custou 75 mil euros. Só a gestão dos conteúdos do site do ministério da Economia custava 120 mil euros por ano, exemplifica a assessoria de Relvas.
A principal inovação do portal é uma aplicação chamada O meu movimento que permite que qualquer pessoa possa inscrever uma causa que defende (tem apenas 160 caracteres para mostrar o que vale) e angarie apoios ao seu movimento através do Facebook. A mais votada terá uma audiência com o primeiro-ministro para apresentar a sua ideia. Estão, claro, excluídos movimentos que incentivem a violência ou o racismo, sejam insultuosos ou sem qualquer valência, conta a assessoria do ministro, que está encarregue de fazer uma avaliação prévia dos movimentos que entram nesta "competição".
O novo portal permite também perceber exactamente onde são aplicados os impostos pagos pelos portugueses. Através da ferramenta Para onde vão os meus impostos?, onde se colocam os dados sobre o estado civil, o rendimento bruto e o tamanho do agregado familiar, a aplicação faz uma simulação da distribuição por áreas e serviços do dinheiro do contribuinte.
Uma pessoa casada, com um rendimento de 30 mil euros em 2010 e dois filhos, por exemplo, terá pago, segundo a estimativa, 1.875,03 euros em IRS. A maior fatia foi para a protecção social (655,37 euros, ou seja, 34, 97%), seguida pelos serviços gerais da administração pública (288,09 euros, 15,36%), saúde (265,81 euros, 14,18%), educação (254,02 euros, 13,55%), entre outros. Mas na área da protecção social, esses 655,37 euros foram distribuídos por serviços correspondentes a subsídio de doença e incapacidade (62,82€) , de velhice (394,39€), sobrevivência (63,49€), família e infância (55,2€), desemprego (39,06€), mas também para serviços relacionados com a habitação (0,85€), exclusão social não especificada (13,36€), investigação e desenvolvimento em protecção social (0,01€) e serviços de protecção social não especificados (26,49€).
O encerramento das páginas dos vários ministérios e a renovação do portal do Governo fez com que se perdesse o acesso a boa parte da informação relativa a executivos anteriores. Não há mesmo nenhum portal oficial online onde possa ser consultada, por exemplo, a constituição de anteriores executivos. Questionado sobre o assunto, o gabinete de Miguel Relvas argumenta que "uma parte da informação dos ministérios migrou para o novo portal" mas não é obrigatório que "a informação histórica esteja disponível " e que ela "também não existe hoje em lado nenhum". "O portal histórico do antigo Governo não tem visitas expressivas e quando as tem as pessoas não percebem que se refere a executivos anteriores e reclamam com os serviços actuais", queixa-se o gabinete.

