Google transforma Gmail em ferramenta para competir com Facebook e Twitter

09.02.2010 - 19:58 Por João Pedro Pereira
A Google pegou no Gmail, a sua conhecida aplicação de e-mail, acrescentou-lhe funcionalidades do Twitter e do Facebook, juntou-lhe uma tecnologia de localização geográfica dos utilizadores e um serviço de recomendação automática de conteúdos. O resultado é o Google Buzz, anunciado ao final desta tarde, e que pretende transformar o GMail numa ferramenta capaz de competir no apetecível mercado das redes sociais.
O novo serviço possibilita a partilha de sites, vídeos e fotografias. Tem integrada uma funcionalidade de conversação em tempo real. Permite enviar mensagens, ter uma lista de seguidores e acompanhar o que outras pessoas escrevem (o Buzz, contudo, identifica as pessoas com quem o utilizador mais frequentemente troca e-mails e coloca-as automaticamente na lista de pessoas a seguir). O conteúdo partilhado pode ser público ou privado.
A empresa integrou ainda uma tecnologia que recomenda conteúdos partilhados por outros utilizadores. O objectivo é salvar os utilizadores da abundância de informação que amigos e conhecidos partilham online. “Os momentos da vida são a coisa mais preciosa, e há muitas distracções. Quando se tem 50 amigos, é possível segui-los em grupo e deixar que esse fluxo [de informação] nos cubra. Quando se tem 500 ou 5000 amigos, isso torna-se muito difícil”, explicou na apresentação Bradley Horowitz, um executivo da empresa.
O Buzz já começou a ser disponibilizado para alguns utilizadores e deverá ser acessível a todos dentro de dias.
Para a Google, uma rede social permitirá aprofundar o conhecimento sobre os utilizadores, e é mais uma oportunidade para exibir anúncios publicitários direccionados, o que já faz no Gmail.
O Buzz, contudo, vai enfrentar alguns obstáculos. Por um lado, e como foi notado logo na sessão de perguntas que se seguiu à apresentação, o serviço é semelhante aos muitos outros já existentes. Por outro, o Facebook já leva a dianteira no que diz respeito ao número de utilizadores. Actualmente, o Gmail ronda os 170 milhões de utilizadores activos. No Facebook são cerca de 400 milhões.
Esta não é, de resto, a primeira vez que a Google faz incursões no mundo da Web social e da partilha online. A empresa é dona do Orkut, uma rede social de pouco sucesso e que é popular apenas no Brasil. No ano passado, lançou o Google Wave, um serviço de conversação e trabalho colaborativo que captou a atenção de alguns entusiastas da tecnologia e chegou a ser descrito como revolucionário, mas que, por ora, não conseguiu atrair muitos utilizadores.
Rumo à nuvem
“O Google Wave não está a ter o sucesso porque muita gente tem a noção de que é uma tecnologia de transição, que será aplicada numa outra coisa”, observa Felipe Carrera, coordenador da pós-graduação em Marketing Digital do Instituto Português de Administração e Marketing e autor de livros sobre o tema.
Carrera nota que os esforços da Google vão no sentido de fazer com que cada vez mais pessoas coloquem conteúdos online, de forma a acelerar a transição para o cloud computing, um novo paradigma de utilização dos computadores e que passa por armazenar os ficheiros e aplicações nos servidores de empresa e não nos discos rígidos.
“A verdadeira guerra passa por controlar o cloud computing. O Google está à procura da integração [dos vários serviços que já disponibiliza] e está à procura de criar uma plataforma [que os utilizadores usarão para a maioria das tarefas]”.
Notando que muitas pessoas utilizam já o sistema de troca de mensagens do Facebook em vez do e-mail, o especialista argumenta que a comunicação em serviços como as redes sociais ou no recém-lançado Buzz pode suprir “uma ineficiência chamada e-mail da qual estamos todos dependentes”.
O Buzz vai poder também ser utilizado a partir de telemóveis equipados com o sistema operativo Android (desenvolvido pela Google) e a partir do iPhone.

