O GeoCities, a ferramenta para livre criação de páginas Web que teve milhões de utilizadores e chegou a ser o terceiro site mais popular, sucumbiu às redes sociais e à Internet 2.0. Após a decisão já ter sido tornada pública em Abril, o GeoCities deixou oficialmente de exitir.
A Yahoo, que comprou o site por 3,5 mil milhões de dólares em 1999 no pico do boom das dotcom, confirmou que, a partir de hoje, o site passa a estar oficialmente “morto”.
Porém, muitas das páginas criadas pelos utilizadores através do GeoCities - que teve o seu equivalente português no site Terravista, criado pelo Estado português - não desaparecem: permanecem arquivadas, não nos servidores da Yahoo mas antes nos do projecto sem fins lucrativos Internet Archive.
Este gigantesco arquivo digital, que tem vindo a armazenar conteúdos da Web desde 1996, criou uma “gaveta” especial para arquivar os dados anteriormente disponíveis no GeoCities.
“Recolhemos muitos sites do GeoCities ao longo dos anos - mas é possível que não possam ser encontradas todas as páginas”, indicaram responsáveis do Internet Archive, citados pela BBC.
Os utilizadores do GeoCities estão, aliás, a ser convidados a alertar o Internet Archive para a conservação das suas páginas antes de a Yahoo desligar definitivamente o sistema.
“O GeoCities tem sido um importante meio de expressão individual na Web ao longo dos últimos 15 anos”, estimou ainda o Internet Archive.
Uma série de empresas tecnológicas - incluindo a Yahoo - tentaram nos últimos anos atrair utilizadores do GeoCities para serviços pagos de alojamento de páginas.
O GeoCities apareceu em 1995 ainda sob a designação Beverly Hills Internet, uma pequena empresa de alojamento de páginas Web. A empresa permitia o alojamento em zonas temáticas: por exemplo, em “Wall Street” estavam os sites dedicados à economia e finanças, ao passo que em “Silicon Valley” estavam os sites dedicados à tecnologia.
Em Abril deste ano, a Yahoo anunciou o encerramento do site que, para alguns, é simbólico de o fim de uma era. “O GeoCities foi talvez a primeira prova de que é possível ter algo realmente popular e, mesmo assim, não fazer nenhum dinheiro com a Internet. Foi uma experiência fascinante na era pré-industrial da Internet”, comentou o editor do site tecnológico ZDNet, Rupert Goodwins, citado pela BBC.


