São já grandes “monstros” da Internet, mas o estatuto ainda não tem paralelo nos lucros. O Twitter e o Facebook, apesar de atraírem milhões de pessoas em todo o mundo, ainda não conseguiram pôr de pé um modelo de financiamento que, à semelhança da Google, permita aos seus criadores obter dinheiro. Muito dinheiro.
Os esforços neste sentido são a actual prioridade das duas empresas, com os responsáveis de ambas - Mark Zuckerberg, do Facebook, e Biz Stone, co-fundador do Twitter – a desenvolverem várias iniciativas na Cimeira da Tecnologia Global, organizada pela Reuters, em Nova Iorque, ainda esta semana.
Os analistas e os investidores estão particularmente atentos quer ao site de microblogging Twitter, que tem vindo a crescer exponencialmente desde o final do ano passado, tendo atraído 17 milhões de utilizadores únicos nos Estados Unidos, e à rede social do momento, o Facebook, que em Abril tinha 200 milhões de utilizadores activos, menos de um ano depois de ter atingido a cifra dos 100 milhões.
Muitos analistas consideram que, apesar de até ao momento, nenhuma das duas ferramentas online estar a gerar o dinheiro correspondente à sua popularidade – como acabou por conseguir a Google com o seu negócio de pesquisa de publicidade –, o Facebook e o Twitter tornaram-se tão “centrais” ao uso da Internet que têm valor inerente.
O Facebook (FB) considera a publicidade como a forma preferencial de atrair dinheiro, indicou Zuckerberg, que avalia a possibilidade de oferecer espaço publicitário não apenas no seu site, mas noutros sites que interajam com o FB.
Os utilizadores de redes sociais tendem a passar muito tempo nesses sites, tornando-os plataformas atractivas para as empresas. O utilizador médio do FB, por exemplo, visita o site duas vezes por dia e gasta aí o equivalente a três horas por mês, de acordo com a comScore.
Já Biz Stone indicou que o Twitter está menos interessado em obter dinheiro através da publicidade e mais disposto a conseguir gerar lucros através da oferta de serviços “premium” para usos comerciais do Twitter.
O utilizador “médio” do Twitter visita o site 1,4 vezes por dia e gasta cerca de 18 minutos por mês nesta aplicação, que regista muitos acessos a partir dos telemóveis.
O analista Steve Weinstein, da Pacific Crest Securities, indicou à Reuters que o modelo da publicidade é a maneira mais rápida de as redes sociais fazerem dinheiro no curto prazo, mas ressalva que um modelo baseado apenas na publicidade não retira todas as vantagens das oportunidades de negócios que uma rede social poderá obter. “A quantidade de informação que está a ser criada em tempo real pelo Twitter não tem paralelo”, disse. “Criar uma melhor maneira de filtrar essa informação tem um enorme potencial financeiro”, estimou.
Outros analistas, porém, têm as suas dúvidas acerca dos resultados da publicidade, considerando que as empresas poderão ter algum pudor em colocar as suas marcas junto a conteúdos gerados pelos utilizadores que são imprevisíveis e potencialmente ofensivos.
O Facebook poderá obter este ano 500 milhões de dólares de lucro, o que corresponde a cerca de um terço dos resultados que a Yahoo – em baixa de popularidade – poderá obter em publicidade em 2009. “Apesar de a Yahoo ainda ser maior, o Facebook é um concorrente de peso, para uma empresa que foi fundada apenas em 2005”, indicou o analista tecnológico Jim Friedland, citado pela Reuters.
As empresas poderão ainda obter dinheiro com serviços. O Facebook, aliás, já introduziu créditos que os utilizadores compram para obter bens virtuais nas lojas do site. Alguns analistas acreditam que o Facebook poderia eventualmente criar um sistema de pagamento que permitisse aos utilizadores comprar aplicações de programadores de software, ficando o FB com parte desse lucro, pelo serviço de mediação.


