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Estudo: Jovens dispostos a pagar por download ilimitado de música

10.08.2009 - 17:45 Por João Pedro Pereira

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A indústria tem-se esforçado por cativar os utilizadores jovens, habituados a descarregar música da Internet A indústria tem-se esforçado por cativar os utilizadores jovens, habituados a descarregar música da Internet (Dino Vournas/Reuters)
Um serviço de pagamento fixo que permita descarregar uma quantidade ilimitada de música – é um caminho apontado pela UK Music (entidade que agrega vários representantes da indústria discográfica britânica) para o futuro de um sector que tem tido sérias dificuldades em adaptar-se aos tempos digitais.

A ideia de um serviço de taxa fixa é lançada no contexto de um estudo segundo o qual 85 por cento dos jovens que usam sistemas de peer-to-peer para partilha de música estariam “interessados” em pagar pela possibilidade de downloads ilimitados.

O inquérito foi a cerca de 1800 jovens britânicos entre os 14 e os 24 anos. Dos inquiridos, 61 por cento admitiram recorrer ao peer-to-peer para descarregar música.

A UK Music aponta ainda que 86 por cento dos inquiridos disseram já ter copiado um CD para um amigo, 75 por cento já enviaram música por e-mail, Skype, MSN Messenger ou bluetooth e 39 por cento descarregaram música de um site. Para além disto, 57 por cento admitiram ter copiado uma colecção inteira de música de um amigo.

As conclusões do relatório indicam ainda o facto de os jovens conhecerem e compreenderem o conceito de direitos de autor, mas “decidirem ignorá-lo” e argumentam que a música é a “mais valorizada” forma de entretenimento.

Modelos de negócio

A indústria musical é das que mais se queixa com a possibilidade de livre partilha de ficheiros na Internet. Alguns estudos apontam o facto de o download de música sem consentimento dos detentores de direitos de autor não ter um efeito directo nas vendas de um determinado artista. Mas, por outro lado, os representantes da indústria apontam frequentemente a pirataria como justificação para a quebra de vendas em suporte físico.

Já as vendas de música online têm crescido, mas sem compensar as perdas do sector.

O iTunes assenta sobretudo modelo de pagamento por uma só canção (em vez de se comprar um álbum inteiro, o que também é possível) e os modelos de um pagamento fixo, como o sugerido pela UK Music, também não são inovadores: em Portugal, por exemplo, a TMN tem o Music Box, um serviço que permite o download ilimitado de música (para o computador e telemóvel) por um pagamento mensal de 6,99 euros, ou semanal, de 1,99 euros.

No caso do Music Box, os ficheiros só podem ser ouvidos apenas enquanto o utilizador mantenha a subscrição activa. Isto significa que o utilizador usufrui de uma licença, mas não fica de facto na posse da música que descarrega. Segundo as conclusões do estudo da UK Music, a sensação de posse porém, é “muito importante”, tanto online como offline.

Outro dos modelos tentados por algumas empresas é o de rentabilizar serviços gratuitos de música através de anúncios publicitários. A estratégia do MySpace, uma conhecida rede social voltada (embora não exclusivamente) para o meio musical, passa também pela publicidade.

Este modelo, contudo, não tem sido muito eficaz (particularmente em altura de crise financeira) e algumas das start-ups nesta área debatem-se com problemas financeiros (tal como também acontece com o MySpace).

Alguns especialistas, por seu lado, têm argumentado que a indústria se devia dedicar não ao combate à partilha ilegal de ficheiros, mas a aproveitar a Internet para a promoção dos artistas e procurar explorar outras fontes de receitas, como os concertos e a venda de produtos associados.

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Antonio Fernandes

11.08.2009 00:11